WhatsApp Twuitter

Sexta, 16 de junho de 2017, 08h43

Segundo revista

Janot teria influenciado depoimento de Joesley Batista para levar procurador à prisão


Reportagem da revista Istoé divulgada nesta quinta-feira (15) indica que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, e sua equipe interferiram no depoimento de Joesley Batista à Polícia Federal para levar à prisão de um procurador federal rival de Janot dentro do Ministério Público Federal (PF). A reportagem se baseia na gravação de duas ligações telefônicas, obtidas com exclusividade pela revista, interceptadas pela PF no âmbito da operação Lava Jato. Não é revelado qual dos interlocutores da conversa é o investigado.

O áudio traz Caroline Maciel, chefe da PGR (Procuradoria Geral da República) no Rio Grande do Norte em diálogo com o colega Ângelo Goulart, preso após delação de Joesley. Na conversa, Caroline alerta sobre a perseguição feita por Janot a apoiadores de Raquel Dodge, favorita de Temer ao cargo de Procurador-Geral e rival de Janot dentro do MPF. Confira os áudios divulgados pela revista.

Caroline — A coisa lá parece que vai ser pesada, pelo menos a estratégia de guerra ... e tá se falando lá pelo gabinete que o Janot vai tentar ficar só pra Raquel não ficar.

Goulart — Esse negócio é muito ruim, esse ambiente.

Caroline — Muito ruim. Eu estou te falando, porque eu adoro você. E vi seu nome virando pelos meios lá. Ficou tipo assim como inimigo.

Goulart — É um jogo, cara, tá um clima horrível isso aí.

Caroline — É nesse jogo acaba que gente que não tem nada a ver pode se prejudicar, sabe?

Caroline — A conversa que rola é que você estaria ajudando Raquel. Estou te avisando porque parece que a guerra está num nível que eu não consigo nem imaginar porque eu não sou desse tipo de coisa. Inclusive, pelo que eu senti, a tática de Janot é apavorar quem estiver do lado de Raquel

Ângelo Goulart acabou sendo preso em 18 de maio, sete dias após a gravação, acusado de receber dinheiro para repassar informações ao empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, a respeito de investigações que o envolviam na Operação Greenfield, que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em fundos de pensão de funcionários de estatais. Segundo o dono da JBS, Goulart recebeu suborno para repassar informações sigilosas sobre a ação. A prisão foi decretada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, a pedido da Procuradoria-Geral da República.

O procurador preso seria o citado por Joesley Batista ao presidente Michel Temer em conversa gravada no palácio do Jaburu, em Brasília. Naquela ocasião, o empresário comenta ao presidente sobre a ‘compra’ de um procurador da República para ajudar os acionistas da holding com informações sobre as investigações em andamento.

Ocorre que, inicialmente, em seus depoimentos sob delação premiada, Batista negou aos procuradores que o acordo com o procurador fosse para valer. Segundo ele, tratava-se de um “blefe” aplicado contra o presidente. Dias depois, quando as negociações com a Procuradoria avançaram, ele resolveu mudar o depoimento e garantiu que, sim, a compra do informante era real.

Neste ponto a revista Istoé aponta que a mudança de discurso de Batista diante dos procuradores teria sido influenciada diretamente por Rodrigo Janot e sua equipe, e que a prisão de Goulart seria mais um episódio da perseguição de Janot a apoiadores de Raquel Dodge ao cargo máximo da PGR, que inclui na lista o presidente Michel Temer e o senador José Agripino Maia (DEM-RN), que segundo a procuradora Caroline Maciel, entrou na mira de Janot ao definir apoio a Raquel Dodge.

“É o seguinte. O Rodrigo (Rodrigo Telles de Souza, procurador da Lava Jato no STF) está muito preocupado porque ouviu (...) ele disse que se fala lá nessa história de José Agripino ter prometido apoio a Raquel. E querem de alguma forma agora lascar José Agripino”, diz Caroline a Goulart na gravação interceptada.

No diálogo registrado, Caroline ainda cita uma “estratégia de guerra” para Janot se manter no cargo.

— Tô te dizendo isso porque a coisa lá parece que vai ser pesada, pelo menos a estratégia de guerra, e tá se falando lá pelo gabinete que Janot vai tentar ficar só pra Raquel não ficar. Se você quiser apoiar que você quiser, você pode apoiar. Isso tem que ser uma coisa democrática. Meu Deus do céu. Mas parece que tá assim: se você está com um você é inimigo do outro.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deixa o cargo em 17 de setembro, e acabou recuando da ideia de um terceiro mandato, mas, de acordo com a revista Istoé, permanece empenhado, mais do que nunca, em evitar a ascensão de Raquel Dodge. Concorrem contra ela, Nicolao Dino e Mário Bonsaglia, hoje os preferidos do procurador-geral. 



// matérias relacionadas

Domingo, 25 de junho de 2017

09:30 - Operação dita embate de ministro Barroso com Gilmar Mendes

Sexta, 23 de junho de 2017

16:30 - Polícia Federal apreende 15 joias na casa da irmã de Adriana Ancelmo

16:09 - Palestras sobre corrupção e Lava Jato rendem R$ 219 mil a Deltan Dallagnol

14:14 - Luciano Coutinho depõe como testemunha de defesa de Lula

12:02 - PF busca joias de Cabral na casa da cunhada

11:45 - Fachin nega crise e diz que não se pode demonizar a política

Quinta, 22 de junho de 2017

15:01 - Supremo reinicia julgamento sobre validade das delações da JBS - Siga

14:21 - Barroso vota pela validade da delação da JBS e manutenção de Fachin na relatoria

13:42 - Primo de Aécio e assessor de Perrella deixam prisão em Belo Horizonte

11:01 - Fachin tira de Moro e envia para São Paulo inquérito contra Paulo Skaf


// leia também

Domingo, 25 de junho de 2017

16:53 - Câmara volta a apreciar na terça MP devolvida pelo Supremo

12:13 - Base aliada de Michel Temer teria 60% de fundo eleitoral

11:14 - Em projeto de Jucá, fatia para o PMDB é de R$ 550 milhões

11:02 - Lava Jato lidera ranking das prisões por corrupção no Brasil

10:51 - Desde 2013, prisões por corrupção crescem 288%

Sábado, 24 de junho de 2017

11:40 - Polícia Legislativa apura carta enviada com fezes para Maia

09:21 - PF deve entregar relatório final do inquérito que investiga Temer na segunda

09:15 - PF conclui que não houve edição em áudio de conversa entre Temer e Joesley

Sexta, 23 de junho de 2017

14:29 - PF apreende pelo menos 15 joias em apartamento de cunhada de Cabral

12:06 - Gravíssimo, diz FHC sobre denúncia de Temer