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Segunda, 19 de junho de 2017, 11h42

Delação da Odebrecht Ambiental aponta nomes do ABC


Ex-executivos da Odebrecht Ambiental afirmaram à força-tarefa da Operação Lava Jato ter financiado os candidatos Carlos Grana (PT) e Nilson Bonome (PMDB), nas eleições de 2012, com o propósito de vencer o processo de privatização do sistema de abastecimento de água em Santo André, no ABC paulista.

Grana, que saiu vitorioso na disputa municipal, recebeu doação legal de R$ 500 mil, enquanto Bonome, nome derrotado na eleição de 2012, recebeu R$ 400 mil via caixa 2, segundo Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental. O depoimento foi prestado em abril.

A Odebrecht venceu o edital de licitação para gerenciar o sistema de água e esgoto da cidade em março de 2016. ‘Foi feito estudo, audiência pública, foi realizada a licitação em 2015. O TCE (Tribunal de Contas do Estado) suspendeu o edital como é de costume em São Paulo. O município acatou as recomendações e republicou o edital em 13 de janeiro de 2016. A companhia entregou a proposta em 1.º de março de 2016. Saímos vencedores‘, disse Reis.

O ex-diretor regional da empresa em São Paulo Guilherme Paschoal reiterou a versão de Reis em seu depoimento. ‘A intenção era fomentar e estimular a privatização e queríamos fazer o projeto em Santo André. Ele (Grana) achava interessante porque sabia quanto nos poderíamos levar de investimento ao município‘, afirmou.

Os valores de Bonome teriam sido acertados diretamente com o candidato. Os encontros eram realizados em uma cafeteria perto da sede da Odebrecht na capital paulista. ‘Marcava a hora, e entregava pessoalmente a ele as informações. Eu sabia que ele não seria eleito, mas tinha uma influência no ABC que poderia fomentar o projeto‘, disse Paschoal.

Mesmo perdedor na eleição, Bonome procurou o delator para pedir R$ 150 mil, em 2014, segundo Paschoal. ‘Por ser uma personalidade do PMDB, talvez, pudesse ajudar na base dele a não criar nenhum óbice (à empreiteira em Santo André).‘

Caixa 2

Somente no Estado de São Paulo, executivos da companhia de saneamento e tratamento de água do grupo dizem ter pago R$ 9,1 milhões em caixa 2, para financiar eleições municipais. Eles identificaram 23 candidatos cujas campanhas foram contaminadas. Reis chamou a prática de vacina ‘antiachaque‘. Atualmente, há 13 petições da Procuradoria-Geral da República para investigar a empresa nos municípios paulistas no Tribunal Regional Federal da 3.Ð Região.

Procurado, Grana não atendeu à reportagem. A defesa de Bonome não foi localizada.  



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