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Domingo, 13 de maio de 2018, 16h00

Temer deixa de cumprir promessas de campanha


O presidente Michel Temer completou ontem seu segundo ano de governo com melhora em setores da economia, mas ainda longe da promessa de plena retomada do crescimento. A gestão Temer conseguiu se equilibrar nos 24 últimos meses. A avaliação de analistas ouvidos pelo Estado, contudo, é de que a gestão será ‘burocrática‘ até o fim do mandato, sem a perspectiva de aprovação de reformas estruturais como a da Previdência.

Conforme levantamento feito pelo Estado em parceria com a Tendências Consultoria, com base no documento Uma Ponte para o Futuro - redigido pela Fundação Ulysses Guimarães com as diretrizes para a nova gestão - e no primeiro discurso de Temer como presidente, das 15 promessas feitas, metade foi cumprida pelo governo do emedebista. O foco das metas atingidas está na área na área econômica.

Com rejeição recorde entre os presidentes desde a redemocratização, Temer conseguiu reduzir inflação e taxa de juros. O desemprego se mantém em patamares ainda elevados, apesar de apresentar uma pequena redução no último ano.

Das promessas de reformas estruturais, apenas a trabalhista foi aprovada. As denúncias de corrupção deixaram a base de Temer frágil para a aprovação de leis impopulares em um ano eleitoral. Para o cientista político do Insper Carlos Melo, a gestão Temer ‘vai andar de lado‘. ‘Será uma gestão burocrática, com a equipe econômica fazendo o que dá e está ao alcance.‘

As acusações envolvendo não apenas o presidente como seus aliados mais próximos teriam sido decisivas, segundo Melo. Temer anunciou um Ministério de ‘notáveis‘. Nestes dois anos, porém, a Operação Lava Jato atingiu o ‘núcleo duro‘ do governo e ex-ministros foram presos. A Câmara barrou a autorização para o julgamento de duas acusações formais contra o presidente.

Claudio Couto, professor de Gestão e Políticas Públicas da FGV-SP, acredita que o governo não deve conseguir aprovar mais nada até o fim do ano. ‘As dificuldades têm a ver com a própria fraqueza do governo, são mais consequência que causa. As denúncias tornaram Temer um líder tóxico do qual ninguém quer se aproximar.‘

Já o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília Ricardo Wahrendorff Caldas vê com menor impacto as denúncias contra Temer, as quais avaliou como ‘mal formuladas, de forma corrida‘ e que não teriam afetado tanto sua imagem.

O governo, segundo Caldas, cumpriu promessas de controle da inflação, aprovação da lei da terceirização e a reforma trabalhista. ‘As dívidas foram a não aprovação da reforma da Previdência e o combate ao desemprego. Achavam que postos de trabalho seriam criados naturalmente e não foi bem assim.‘

A assessoria de imprensa do Planalto afirmou que a atual gestão persistirá na aprovação de projetos essenciais para o País, como o Cadastro Positivo aprovado na semana passada .

Temer disse ao Estado que está ‘disposto a fazer um acordo‘ com o presidente eleito para tentar aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano. 



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