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Quarta, 04 de julho de 2018, 17h30

Sob aplausos, Bolsonaro critica desde cotas para negros até imprensa


Em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o pré-candidato do PSL ao Planalto, Jair Bolsonaro, arrancou aplausos, na manhã desta quarta-feira, 4, ao atacar a política de cotas para negros, a legislação ambiental e indigenista, o Congresso, o governo, o Supremo, a esquerda e a imprensa.

À plateia formada por empresários, ele disse que, se eleito, pretende melhorar a economia com a retomada de diretrizes do ‘Brasil Grande‘, como ficou conhecida a fase dos megaprojetos de infraestrutura da ditadura militar que antecederam, porém, ao período de recessão, aumento da dívida externa e dos dramas ambientais e sociais. ‘Não faremos nada da nossa cabeça. Os senhores que estão na ponta das empresas serão os nossos patrões‘, afirmou.

Ele disse que gostaria de convidar os empresários a fazerem uma visita a Mato Grosso do Sul para buscar ‘soluções‘ aos problemas agrários. É no Estado que ocorrem graves conflitos de terra e altos índices de suicídios e assassinatos de índios guaranis caiovás. Foi aplaudido. Assim como foi aplaudido ao reclamar que o Ibama leva ‘dez anos‘ para conceder uma licença a uma pequena hidrelétrica. ‘Ninguém quer o mal para o meio ambiente‘, ponderou.

Bolsonaro avaliou, por exemplo, que terá apoio popular se ‘redimensionar‘ a política de direitos humanos. ‘Se redimensionarmos a política de direitos humanos, não vamos ganhar a população? Não custa nada.‘

Mais tranquilo após os primeiros aplausos e risos do público, Bolsonaro afirmou que o Supremo Tribunal Federal tem legislado no lugar da Câmara e do Senado e que, se a situação permanecer, o País ficará ‘ingovernável‘. Em seguida, ele mirou no Congresso. O ex-capitão do Exército disse que o parlamento era mais valorizado pela sociedade e que, atualmente, é dominado por ‘grandes interesses‘. ‘No período militar, o deputado era gente. Hoje, temos operadores‘, avaliou. A propósito, a ditadura impôs, já em 1964, ano do golpe contra o presidente João Goulart, uma rígida política de cassações de mandatos e retaliações a parlamentares oposicionistas.

Sem citar o presidente Michel Temer e o MDB, Bolsonaro perguntou aos empresários se eles sabiam como estava a situação do Porto de Santos. ‘Está na mão de qual partido? Vamos quebrar esse negócio, acabar com isso que está lá‘, disse. Em discursos anteriores, ele acusou o presidente e a legenda de apadrinharem o porto.

Bolsonaro foi aplaudido até quando disse não saber responder a uma pergunta sobre como tratar o Senai. Ele disse que estava aberto a sugestões sobre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. ‘Quero sugestões, não quero passar aquilo que não domino.‘

O pré-candidato encontrou a fórmula para provocar risos e ganhar de vez aplausos da plateia: ataques à ex-presidente Dilma Rousseff e à esquerda latino-americana. Fez ataques ao Mercosul do tempo ‘bolivariano‘ e até ao educador Paulo Freire. ‘Tem três partidos que não quero conversar num eventual governo‘, disse, referindo-se a legendas de esquerda. ‘Eu não quero colocar um busto do Che Guevara no Planalto‘, disse. ‘Um presidente deve chegar lá e nomear seu time. Vou botar alguns generais em alguns ministérios. Os (governos) anteriores não colocaram terroristas e corruptos?‘, perguntou. A plateia aumentou as palmas.

Nos momentos em que falou de assuntos de interesse direto da indústria, Bolsonaro reafirmou que defende uma reforma previdenciária em partes, mudanças na legislação trabalhista e desoneração de alguns setores, sem dar detalhes. O déficit da Previdência foi o tema escolhido pelo público para que o pré-candidato se pronunciasse. O pré-candidato, então, afirmou que o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, também na disputa presidencial, errou ao propor uma reforma em que a idade mínima de aposentadoria dos homens seria de 65 anos. ‘Isso assustou, pois no Piauí a média de vida é 69 anos‘, disse. Ele, porém, criticou propostas para mudar a previdência dos militares, seu setor de origem. E disse que estava atento à esquerda, que ‘tira proveito enorme‘ desse debate. ‘A conotação que a esquerda dá acaba com qualquer esperança de mudar o Brasil por vias democráticas, o que tem que ser.‘

Ele relatou que, em conversas com a equipe do economista de Paulo Guedes, seu principal conselheiro na área, ouviu que é possível mudar a situação orçamentária do governo sem aumentar tributos. ‘Dá para manter a inflação, diminuir a taxa de juros, um dólar que não atrapalhe quem quer importar e reduzir essa monstruosa dívida interna sem aumentar os impostos? Dá sim‘, disse. ‘Precisamos fazer novamente o Brasil Grande.‘ 



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