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Quarta, 03 de maio de 2017, 15h33

OPERAÇÃO ZAQUEUS

Advogado denunciou esquema milionário de fraudes da Caramuru

Celly Silva, repórter do GD


A investigação que culminou com a operação Zaqueus, deflagrada nesta quarta-feira (3), pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), começou com a denúncia de um dos próprios envolvidos no esquema, o advogado Themystocles Ney de Azevedo de Figueiredo.

A operação tem como foco a drástica redução de um auto de infração da Caramuru Alimentos S/A de R$ 65,9 milhões para R$ 315 mil, fraude supostamente ocorrida em 2014 mediante pagamento de propina a agentes de tributos.

Otmar de Oliveira

Caso delatado pelo advogado não tem relação com a denúncia feita pelo então candidato, Wilson Santos

De acordo com a delagada da Defaz, Maria Alice Barros, após a denúncia feita pelo então candidato à prefeitura de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), na eleição de 2016, de que a Caramuru teria pago R$ 4 milhões para que o seu então adversário Emanuel Pinheiro (PMDB) fizesse lobby para viabilizar incentivos fiscais, Themystocles teria ficado amedrontado de que a investigação chegasse até ele e resolveu procurar a delegacia, em dezembro do ano passado.

“Nós tivemos um advogado que procurou o Cira, com o doutor Márcio, ele afirmou que havia sido utilizado para fazer a lavagem de um dinheiro, que tinha como objetivo pagamento de propina para diminuir o tributo que seria devido por uma empresa”, explicou a delegada Maria Alice Barros, da Defaz. 

No entanto, após confessar ter lavado dinheiro pago pela Caramuru e repassado para os três agentes de tributos da Sefaz - André Neves Fantoni, Alfredo Menezes Mattos Junior e Farley Coelho Moutinho - os delegados chegaram a conclusão de que um esquema não mantinha relação com o outro.
“Essa denúncia não guarda nenhuma relação trazida pelo candidato Wilson Santos à Delegacia Fazendária" disse Maria Alice.

Quando o candidato nos trouxe uma denúncia acerca da empresa Caramuru e a propina foi paga em benefício de um auto de infração que tinha sido feito em desfavor da empresa Caramuru. Então, esta é a única relação”, esclareceu a delegada. 

Segundo o delegado Lindomar Tófolli, o advogado Themystocles Figueiredo entrou para o esquema de corrupção porque era amigo do agente de tributos André Fantoni, que o convidou para ser o operador da lavagem de dinheiro. “Ele [Themystocles] citou que tinha um vínculo de amizade com o agente de tributos André. E o André, então em contato com esse advogado, ofereceu para ele uma participação nessa situação, mediante o pagamento de 10% do que fosse negociado para essa empresa de consultoria no intuito de que fossem lavrados contratos de honorários advocatícios fictícios, uma assessoria jurídica fictícia para que o recebimento de propina pelos agentes de tributos pudessem ter uma aparência de legalidade", explicou.

Já a participação dos outros dois agentes de tributos era conceder decisões administrativas favoráveis à Caramuru Alimentos, para que ela tivesse os valores de seus tributos reduzidos. Dessa maneira, a empresa pagava a propina para Themystocles, que ficava com 10% e repassava o outro montante para André. Este, por sua vez, repassava o combinado com os outros dois agentes. 
 



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