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Sexta, 16 de junho de 2017, 15h50

Silval admite que compôs staff pensando em cometer crimes

Celly Silva, repórter do GD


O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) admitiu em seus depoimentos aos delegados da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) que compôs seu staff de governo, em 2011, já planejando retirar dos cofres públicos os recursos necessários para quitar suas dívidas de campanha eleitoral e que, para isso, escolheu pessoas de sua “estreita confiança”, que ficaram incumbidas de proceder aos desvios e cobranças de propinas junto a empresários que mantinham contratos de prestação de serviço com o Estado.

João Vieira

Ex-governador confessou crimes para poder sair da cadeia

A confissão consta na decisão que levou a juíza Selma Rosane Santos Arruda, titular da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, a retirar Silval do Centro de Custódia da Capital (CCC), onde estava preso há 1 ano e nove meses, e transferi-lo para prisão domiciliar, na última terça-feira (13).

“Durante o seu interrogatório, repisou que, em razão de compromissos políticos e dívidas assumidas na campanha de 2010, acabou formando o staff de governo com pessoas de sua estreita confiança, que eram incumbidos de arrecadar recursos do erário público para o pagamento de tais dividas e, com isso, criou uma verdadeira organização criminosa, que atuou durante os anos de 2010 a 2014”, diz trecho dos autos.

Ainda em sua confissão, o ex-governador detalhou aos delegados qual era a função e a posição de cada membro da organização criminosa denunciada pelo Ministério Público Estadual (MPE) e que responde por diversos crimes de corrupção nas operações Sodoma e Seven. Confira:

Sílvio César Corrêa Araújo


Ex-chefe de gabinete Sílvio Corrêa

O ex-chefe de gabinete é definido como uma pessoa da “extrema confiança” do ex-governador, a quem ele conhece desde quando ainda morava em Matupá, quando era piloto de avião, se tornando seu chefe de gabinete em 2003, quando se tornou deputado estadual.

Segundo Silval, ele era incumbido de diversas “missões” no interesse da organização criminosa, como arrecadar propinas, realizar pagamento de dívidas, realizar transações com alguns operadores financeiros, fazer reuniões com empresários, controlar os pagamentos das propinas, já que muitas vezes Silval não conseguia saber de todos os assuntos.

Além disso, ele é definido pelo ex-governador como seu “braço direito” tanto nos assuntos lícitos como nos ilícitos.

Pedro Jamil Nadaf

Chico Ferreira/A Gazeta

O ex-chefe da casa civil e réu confesso Pedro Nadaf

Este foi secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia no governo Blairo Maggi (PP) e continuou no cargo após 2010, quando Silval assumiu o cargo de governador. Ao final de 2012, foi nomeado secretário-chefe da Casa Civil.

Conforme Silval, Pedro Nadaf o auxiliou bastante na campanha eleitoral de 2010, com apoio político e financeiro, captando recursos junto a empresários. Da mesma forma, essa função continuou no governo, mas, dessa vez, para quitar dívidas do pleito com dinheiro de propina. Segundo o ex-governador, era necessário que ele quitasse suas dívidas eleitorais para manutenção da sua governabilidade.

Silval contou ainda que Pedro Nadaf assumiu o papel de Eder Moraes, mas, mesmo antes disso, já operavam na obtenção de propinas, na Sicme, na concessão de incentivos fiscais e créditos tributários a empresas sediadas no Estado.

 

Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, Chico Lima

Chico Ferreira

Chico Lima tenta esconder rosto com sacola na saída da delegacia

Segundo Silval Barbosa, Chico Lima, enquanto procurador do Estado, era subordinado de Pedro Nadaf e tinha incumbência de emitir pareceres nos processos de interesses ilícitos do governo, tendo recebido propina em alguns casos.

 

 

 

Welington Sabino/A Gazeta

Ex-secretário de Administração e delator César Zílio

César Roberto Zílio

O ex-secretário de Estado de Administração, segundo Silval Barbosa, seria o responsável pela contabilidade das campanhas eleitorais, tanto no governo Blairo, como na sua própria. Já como presidente do MT Par, ele exercia o papel de articulador entre empresários e o governo. Era home da confiança do então governador e, na SAD, recebeu a função de cobrar propina de empresários que mantinham contatos com o governo. O dinheiro ilícito era então repassado para Silval para pagamento de dívidas de campanha.

 

Pedro Elias Domingos de Melo

Divulgação

O delator Pedro Elias Domingos

Trabalhou na campanha de 2010 e, por isso, foi nomeado para um cargo de gabinete. Já em 2013, foi nomeado como secretário-adjunto na SAD, passando a ser o titular da pasta em 2014. Segundo Silval Barbosa, Pedro Elias tinha a função de arrecadar propina de empresas que mantinham contratos com o governo, sendo que, em alguns casos, repassou tais valores para seu filho Rodrigo Barbosa e outras vezes para Sílvio César.

 

João Vieira/A Gazeta

Valdísio Juliano Viriato

Valdísio Juliano Viriato

Conforme os autos, Valdísio trabalhou para Silval Barbosa desde 2003, ainda na Assembleia Legislativa. Quando Silval assumiu o governo, Valdísio passou a exercer o cargo de secretário-adjunto da extinta Secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana (Setpu), atual Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). Lá, ele era incumbido de fazer a arrecadação de propina junto às empreiteiras. Os valores arrecadados eram repassados tanto para Silval quando para Sílvio César ou Pedro Nadaf.

 

Arnaldo Alves de Souza Neto

Elza Fiúza/Agência Brasil

Ex-secretário de Planejamento Arnaldo Alves

Na secretaria de Planejamento e na Infraestrutura, seja como adjunto ou titular, Arnaldo Alves esteve desde o início do governo Blairo Maggi até o fim da gestão Silval. Conforme o ex-governador, ele atuava em situações em que havia necessidade de remanejar recursos no orçamento, suplementação orçamentária, de modo a atender os interesses da organização criminosa.

No caso das desapropriações investigadas, Silval contou que quando foi necessária a suplementação orçamentária para os pagamentos, Arnaldo tinha ciência de que as desapropriações tinham finalidades escusas. Além disso, a mando do acusado do então governador, Arnaldo teria aderido a uma licitação de uma determinada empresa para o fim de receber propina destinada também a pagamento de dividas de campanha.

 

Chico Ferreira

Marcel de Cursi continua preso no CCC

Marcel Souza de Cursi

Silval Barbosa declarou que Marcel era secretário-adjunto da Sefaz no governo Blairo Maggi, sendo que no seu governo passou a exercer o cargo de secretário titular da Secretaria de Fazenda.

Conforme Silval, Cursi tinha papel importante na elaboração de leis e decretos que atendessem aos interesses do grupo criminoso. Ele também efetuava pagamentos, via Sefaz, das suplementações elaboradas pela Seplan, como, por exemplo, as desapropriações no ano de 2014, que visavam recebimento de propina. Marcel também teria sido o responsável por implementar a fruição de benefícios fiscais concedidos de forma espúria pela Sicme e conceder tratamento tributário diferenciado para alguns empresários, a pedido de Silval Barbosa.

 

Chico Ferreira

O delator Afonso Dalberto

Afonso Dalberto

Segundo Silval, o ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) atuou de maneira preponderante em três processos ilícitos de desapropriação. Também como ordenador de despesas, efetuou pagamentos referentes a essas desapropriações, tudo para beneficiar a organização criminosa.

Com relação a isso, ele já confessou perante o juízo na condição de delator premiado.

 

Francisco Anis Faiad

João Vieira

O advogado Francisco Faiad

Foi advogado de Silval Barbosa desde a época em que este exercia o mandato de deputado estadual e foi nomeado em seu governo para ocupar o cargo de secretário de Administração do Estado. Silval relata que, na campanha de 2012, quando Faiad foi candidato a vice-prefeito na chapa de Lúdio Cabral, recebeu auxílio financeiro e doação de combustível no montante de R$ 600 mil, frutos de desvios de dinheiro público e que Francisco Faiad tinha pleno conhecimento da origem ilícita de tal doação, assim como o próprio Lúdio.

Marcus Vaillant

Rodrigo Barbosa

Rodrigo da Cunha Barbosa

O empresário e filho de Silval Barbosa foi apontado pelo próprio pai e ex-governador como recebedor da propina de algumas empresas que mantinham contrato com o governo, através de Pedro Elias.

 

José de Jesus Nunes Cordeiro

Chico Ferreira

Coronel Cordeiro

Segundo Silval Barbosa, ele nunca tratou diretamente de assuntos diretamente com o coronel Cordeiro, que foi secretário-adjunto da SAD. O responsável por essa intermediação, conforme o ex-governador, era Sílvio César Correa Araújo.
 



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