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Quarta, 11 de outubro de 2017, 08h22

preso há duas semanas

Estratégia de coronel Lesco em confessar crime não convenceu delegados

Janaiara Soares, repórter do GD


O delegado da Polícia Civil Flávio Stringueta, que acompanhou o interrogatório do coronel Evandro Lesco e de sua esposa, a personal trainer Hellen Lesco, na tarde desta terça-feira 10, afirmou que o ex-secretário da Casa Militar tentou livrar sua mulher de continuar presa com o novo depoimento, porém, por não ter apresentado nenhuma informação nova, não deve conseguir amenizar as punições da educadora física.

"Ele confessou todos os fatos a ele atribuídos na Operação Esdras, numa tentativa de livrar da cadeia sua mulher, Helen. Não acrescentou nada, portanto, sua estratégia não convenceu. O que ele confessou já está plenamente confirmado nos autos", disse Stringueta ao Gazeta Digital.

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João Vieira

Evandro Lesco na saída de seu depoimento no Complexo Miranda Reis

O delegado informou também que o desembargador Orlando Perri determinou a transferência de Lesco para uma cela no quartel da Rotam, na Avenida do CPA. Inicialmente, ele estava preso no 3º Batalhão da Polícia Militar, mas foi alvo de denúncia de que teria saído de lá para ir a uma farmácia, acompanhado de dois policiais.

Na decisão do desembargador Orlando de Almeida Perri, que determinou a prisão do casal, Lesco é acusado de apresentar os militares responsáveis pela realização dos grampos ao coronel Zaqueu Barbosa, incumbido pela criação do Escritório/Núcleo de Inteligência. Conforme Perri, os integrantes do que ele classificou como organização criminosa pretendiam montar uma farsa para afastá-lo da relatoria do caso no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Além disso, Lesco teria dado ordem a um militar para evitar a qualquer custo que o então secretário de Justiça e Direitos Humanos, Airton Benedito Siqueira, fosse preso por envolvimento no esquema para "não fragilizar o grupo" que teria grampeado ilegalmente centenas de pessoas entre políticos, jornalistas e até membros do Judiciário.

Helen, por sua vez, tentou atrapalhar as investigações sobre o esquema de interceptações telefônicas ilegais praticadas por membros do alto escalão do governo e da Polícia Militar na atual gestão. Na ocasião, a organização criminosa cooptou o tenente-coronel José Henrique Costa Soares e instalou na farda dele uma microcâmera espiã para que ele pudesse gravar o desembargador Orlando Perri.

A ideia era extrair do magistrado qualquer frase que pudesse ser utilizada pelo grupo criminoso para pedir sua suspeição na condução dos 6 inquéritos relacionados ao esquema da "gramplândia pantaneira".

De acordo com o depoimento prestado pelo coronel Soares, ele foi inicialmente abordado pela personal trainer Helen Lesco quando o marido dela ainda estava preso pela primeira vez. Ela teria dito ao policial que sabia dos problemas dele com as drogas e pedido que ele avisasse sobre tudo o que acontecesse no curso do inquérito policial militar e também que monitorasse os passos do desembargador Orlando Perri.  



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