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Domingo, 11 de fevereiro de 2018, 08h53

dinheiro no paletó

Vice diz que viveu dias de turbulência após vídeo de Emanuel

Glaucio Nogueira, repórter de A Gazeta


Aos 33 anos, o advogado Niuan Ribeiro (PTB) foi eleito, em 2016, vice-prefeito de Cuiabá. Menos de um ano depois, em agosto de 2017, veio a público o vídeo anexado à delação do ex-governador Silval Barbosa que mostra o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) enchendo os bolsos do paletó com dinheiro supostamente fruto de propina. Nesta entrevista para A Gazeta, o petebista fala como foram os dias seguintes à revelação das imagens, como tem sido sua atuação para resgatar a importância do cargo de vice-prefeito, além de seu futuro político, e do grupo do qual faz parte.

Otmar de Oliveira

Vice-prefeito Niaun Ribeiro

Cuiabá ficou seis anos sem um vice-prefeito, desde que Francisco Galindo (PTB) assumiu a prefeitura, em março de 2010. Com isso, a cidade ficou sem um personagem muito importante, fato que se confirmou com o passar dos anos. Como foi para o senhor buscar seu espaço, uma vez que a própria estrutura administrativa da cidade absorveu as funções que o vice poderia assumir?

Este é um processo que ainda está acontecendo. Sempre tive uma postura muito tranquila e calma. Venho de uma filosofia política em que a gente tem que aglutinar, trazer para dentro e trabalhar com responsabilidade. Dentro dessa filosofia, passamos o primeiro ano de gestão. Tenho buscado estar o mais próximo possível do prefeito Emanuel Pinheiro, porque, afinal de contas, a gente está na gestão, leva o nome da gestão e quer que a cidade melhore, tanto quanto ele. Internamente, com os secretários e servidores, buscamos fazer pontes, estar em constante diálogo, sabendo quais são as necessidades de cada pasta, buscando saber como podemos ajudar.

Outro trabalho é andar muito pelos bairros, conhecendo as demandas da cidade. É bom salientar que, neste primeiro ano da gestão, fizemos 100 km de asfalto. Temos trabalhado muito. Já inauguramos cinco CMEIs [Centro Municipal de Educação Infantil], diminuindo o déficit de vagas. Uma outra missão que nos foi dada pelo prefeito é a de atrair empresas para Cuiabá. A ideia é municipalizar o Distrito Industrial, para que a gente possa tocar isso mais de perto, além de trabalhar esta política de incentivos com mais força. Em um momento de crise, temos que gerar emprego e renda.

Como tem sido a interlocução com os vereadores e os partidos que eles representam?

Tem sido positiva. O prefeito, com a natureza política que tem, como vereador e deputado estadual de três mandatos, tem uma habilidade muito grande. A gente ajuda, até por conta da credibilidade que estamos construindo e queremos construir, que vem também do espólio familiar. Tudo o que a gente fala é sempre muito bem pautado, correto e transparente. Estamos construindo uma coalizão acerca da credibilidade dos projetos. Toda conversa que tenho com qualquer ator político é sempre nesse sentido, ver o que dá para fazer e fazer, sem essa ilusão de promessas, de uma política antiga e arcaica. Minha atuação é nesse sentido, de argumentar, de dialogar. Todo vereador que está lá, tem uma base que o elegeu e quer benefícios para sua comunidade. A gente, como gestor do Executivo, tem que entender e fortalecer o parlamentar, até porque, no fim das contas, estamos beneficiando a população.

Ainda falando em Câmara, qual a avaliação que o senhor faz do trabalho dos parlamentares com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) “do Paletó”?

Isso faz parte do processo democrático. O papel do Legislativo é fiscalizar e legislar. A grande maioria dos vereadores diz que não é da competência da Câmara investigar aquilo que não ocorreu no curso do mandato. Como não é uma questão meramente jurídica, é uma questão política, alguns vereadores resolveram investigar. De toda forma, acho que serve como espaço para o prefeito provar a inocência dele, o que eu acho que vai acontecer ao cabo de todo esse processo. Temos que respeitar as correntes divergentes, dialogar. Não queremos que este episódio, que ocorreu antes da gestão, contamine a gestão. Não vamos aceitar que isso atrapalhe a administração municipal.

Durante a crise, a postura do senhor foi muito elogiada, porque, nem saiu desesperadamente em defesa do prefeito, nem articulou para assumir a prefeitura. Como foi para o senhor passar pelos primeiros dias após a divulgação da delação?

Foram dias de muita turbulência. Não só para mim, mas para a cidade, para as pessoas que votaram nele, acreditam nele, que é o meu caso. Mas também foi de muita serenidade, de saber que o processo é longo, que existe o devido processo legal, que existe o contraditório. Fui eleito para ser vice-prefeito, que é uma expectativa de direto que pode vir a acontecer em vários casos. Torço e tenho certeza que o prefeito vai conseguir provar sua inocência e está colocando este caso na esfera pessoal e não na administrativa.

Eu sou um jovem político, tenho muito o que aprender, mas há uma bagagem que vai se passando de pai para filho e tenho um grupo. Me sinto muito tranquilo com relação a isso. O tempo vai mostrar a verdade dos fatos. Estou pronto para ajudar Cuiabá, para ajudar a população. Todo o potencial que tenho nos meus 33 anos de idade, quero que retorne para Cuiabá em bons serviços. Temos um legado de credibilidade. Meu pai, com 40 anos de vida pública, tem a ficha limpa e pretende levar este legado à frente.

Confira a entrevista completa no jornal A Gazeta deste domingo.
 



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