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Domingo, 18 de junho de 2017, 00h00

Brasil, o país do Carnaval?

DA EDITORIA


Não são poucas as vezes em que, ao anunciar algum evento que pede investimentos grandiosos, o poder público é criticado por investir demais em áreas consideradas não essenciais como o são a saúde e educação. Na última semana a Prefeitura do Rio de Janeiro foi no caminho contrário e divulgou um corte de 50% na verba destinada às escolas de samba do Grupo Especial, que atualmente gira em torno de R$ 24 milhões. Em meio à gritaria das escolas, a Riotur informou que o corte não significa o fim do apoio da prefeitura aos desfiles de 2018, já que o repasse deve chegar a R$ 13 milhões.

A decisão, no entanto, é explicada pela necessidade de aumentar o repasse para a manutenção de creches conveniadas com o município. Os recursos serão revertidos na melhoria da alimentação e em material escolar para as crianças. Trarão benefícios à educação, exatamente com pedem aqueles que apontam o investimento de verba pública em eventos culturais e semelhantes como desnecessário. Para que as escolas não fiquem desassistidas, a administração informou que há estudos para viabilizar a captação de investimentos da iniciativa privada. Ou seja, nem tudo está perdido.

Já para as agremiações, representadas pelo Grupo Especial da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), não há conversa e, portanto, o desfile das escolas do grupo especial do Rio em 2018 está cancelado até segunda ordem. Segundo a nota divulgada pela entidade para explicar tal medida, o corte trará "graves consequências para produção do espetáculo e tornará os desfiles inviáveis de serem feitos com a mesma qualidade com que estavam sendo produzidos".

Diante desse impasse, é preciso ressaltar que o Carnaval, por ser uma festa tipicamente brasileira, não é privilégio do Rio de Janeiro e tampouco dos desfiles luxuosos que acontecem no Sambódromo. O espaço, por sinal, é mantido pela prefeitura que tem um gasto anual grande com a manutenção da estrutura. A iluminação dos desfiles de 2017, por exemplo, ficou em R$ 655 mil.

Carnaval no Sambódromo é para quem pode pagar. Quem não pode vai para a rua, justamente onde a folia se originou e onde se mantém em algumas das comemorações mais famosas Brasil afora. Recife, Olinda, Salvador e os blocos de rua de São Paulo e do próprio Rio de Janeiro reforçam a popularidade de uma manifestação popular que precisa se manter democrática para se preservar como uma das mais tradicionais e representativas do Brasil.

Ao dar prioridade à educação e alimentação nas creches a prefeitura do Rio age de maneira sensata, mesmo consciente da importância dos desfiles das escolas de samba para a geração de renda e emprego. Mas em tempos de recessão, que atinge fortemente o Rio de Janeiro, é preciso priorizar as áreas essenciais. Grandes homens de negócios não se cansam em dizer que a crise favorece as oportunidades. Neste caso, a criatividade pode ser uma grande aliada. Caberá aos envolvidos nesta celeuma buscarem uma solução criativa que drible as dificuldades e não tire o brilho do Carnaval brasileiro. Um brilho que, por sinal, não está apenas nas plumas, paetês e na suntuosidade da Marquês de Sapucaí.



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