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Quinta, 11 de janeiro de 2018, 00h00

Editorial

Quem ama não mata

Da Editoria


Um crime hediondo e de ódio. Assim é o feminicídio, o desfecho trágico da violência doméstica. Antes da morte de uma mulher, ela já foi vítima de outras agressões, sejam físicas ou psicológicas. Um feminicídio não ocorre sem "aviso", sem que o assassino tenha deixado marcas na mulher "amada". Marcas que não precisam ser visíveis.

Algumas vítimas denunciam seus atrozes, conseguem medidas protetivas para que eles não se aproximem e, às vezes, até a decretação da prisão do acusado. Mas nem sempre estas ações são capazes de impedir a aproximação ou chegam tarde demais.

Muitas mulheres ainda acreditam nas mudanças de comportamento de uma hora para outra, quase que num passe de mágica, e "caem" nas mãos dos assassinos. Outras não escampam das armadilhas quando aceitam conversar sobre pensão de filhos ou algo semelhante. Momento oportuno para os crimes.

Não que a culpa do crime seja da vítima que aceitou conversar, ou acreditou na mudança. A vítima nunca tem culpa. É odiosa a tentativa de querer colocar a vítima como culpada pela própria morte.

Na maioria dos casos o crime é justificado porque o ex não aceitou a separação. Isso mostra o machismo arraigado, com a mulher sendo tratada como objeto e que deve fazer as coisas ditadas pelo sexo masculino. Não sendo assim, é preciso eliminá-la.

A única coisa difícil de esconder é a autoria destes crimes. Quando uma mulher é vítima de feminicídio, logo a Polícia tem identificado o autor, que na maioria dos casos acaba preso. Mas as vidas não são recuperadas.

Nos nove primeiros dias deste ano foram registrados dois feminicídios no Estado, ambos em Rondonópolis. Os assassinos são ex-companheiros das vítimas, uma adolescente de 15 anos e uma mulher de 43, que tinha três filhos.

Assim como começamos o ano com casos chocantes, da mesma maneira fechamos 2017 com um feminicídio em Paranatinga, no dia 31 de dezembro, na festa de réveillon.

Especialistas apontam que o feminicídio acontece porque diversas outras medidas falharam. Para combater o feminicídio é preciso ir à raiz do problema, onde ele "começa", que é na primeira agressão verbal ou física. É aí o ponto mais fácil para que as sessões de violência não evoluam e não se tornem rotina.

Quando os crimes cometidos estão dentro da Lei Maria da Penha, é possível punir os agressores e também trabalhar com eles, para que mudem o conceito de gênero e passem a respeitar suas companheiras como mulheres que possuem direitos, que são trabalhadoras, mães e não aceitam agressões.

A Lei Maria da Penha foi um grande avanço para as mulheres de todo o país. Hoje as mulheres têm mais coragem de denunciar devido às medidas protetivas que existem, como o afastamento ou até a prisão preventiva do agressor. Mas é claro que ainda existe uma grande parcela que continua sofrendo calada, sob as ameaças.

O que precisa ser esclarecido, inclusive às vítimas de agressões, é que quem ama não agride. Quem ama não mata. Nenhum feminicídio é cometido por paixão, por amor. Os feminicídios são cometidos porque os homens não aceitam perder a mulher e ainda mais se o seu "objeto" já for de outro homem.



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