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Quinta, 11 de janeiro de 2018, 00h00

Agro, Nasa e o futuro

Alfredo da Mota Menezes


Nasa, a agência espacial norte-americana, criou um mapa sobre uso do solo em cada país no mundo para o setor agrícola. Chama Global Food Security Analysis, Global Croplands ou terras cultivadas no mundo.

Segundo a agência, o Brasil cultiva 63.994.479 hectares ou 7.6% do território nacional. Outra pesquisa, feita pela Embrapa Territorial, encontrou que se cultivam em 65.913.738 hectares ou 7.8% do país. Uma diferença a mais de 0,2%. Se forem acrescentadas áreas com reflorestamentos chegaria a 76.054.313 hectares ou 9% do território brasileiro.

Enquanto era a empresa brasileira que falava muitos não acreditavam no assunto, aqui e no exterior. Agora a Nasa confirma os números, aliás, achou até um pouquinho a menos do uso do solo que a Embrapa.

A pesquisa da Nasa mostra ainda que os países da União Europeia usam entre 45 e 65% de seus territórios para cultivo. Os EUA 17,4 %, a Rússia, com muito gelo, 9.5% e, número sugestivo, a Austrália somente 4.5%.

Associando esta pesquisa com outra, o Brasil usa 7.8% do seu território com agricultura, mais 21.2% com pastagens e 1.2 % com florestas plantadas. O uso agropecuário chegaria a 30.2% do país.

Os EUA ocupam 17.4 % com agricultura, 29% com pastagens e, dá um baile no Brasil, com 27.9% de florestas plantadas. Usam 74.3% com agropecuária.

Apenas como curiosidade nesse assunto de ocupação de solo, no Brasil os indígenas ocupam 13.8% do território, nos EUA somente 2.3%.

Comenta-se que o Brasil possui 40% da área no mundo que resta para ser plantada. Número que impressiona, num mundo que tem cada dia mais necessidade de comida. A realidade atual e futura mostra isso.

A China tem 1.3 bilhão de habitantes e continua a tirar gentes da pobreza. Fala-se que a China incorporará, em mais alguns anos, outras 300 milhões de pessoas ao mercado consumidor. E a primeira coisa que alguém faz quando ascende na vida é melhorar sua qualidade de comida.

A Índia tem quase a mesma população da China, mas é mais pobre. Mas ultimamente a Índia tem crescimento econômico maior que o da China. Milhões de indianos estão fazendo o mesmo caminho que os chineses fizeram alguns anos atrás.

A soma disso, dizem os entendidos no assunto, é que o setor agropecuário tem ainda pela frente um crescimento constante de mais 30 anos. Tem espaço enorme para continuar crescendo, portanto.

Mato Grosso é o estado que mais tem terras disponíveis para a agropecuária no Brasil. No momento, 16 milhões de hectares já poderiam ser incorporados ao processo. O futuro se mostra interessante. Falta transporte e que parte dessa produção seja industrializada no estado, como faz a Argentina.

O que encabula é o setor do agro, aqui e fora, não aproveitar os números da Nasa para vender outro Brasil (MT no meio), primeiro, para o brasileiro dos grandes centros urbanos, depois para o exterior. Isso hoje vale dinheiro, se continuar a preservação.

Alfredo da Mota Menezes escreve às quintas-feiras em A Gazeta. E-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com



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