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Sexta, 12 de janeiro de 2018, 00h00

Editorial

Criminosos no trânsito

Da Editoria


No início da manhã de ontem, um motorista embriagado, acompanhado de outras cinco pessoas na mesma situação, avançou com o carro que dirigia para o pátio da Policlínica do bairro Planalto. O veículo capotou e atingiu em cheio um idoso de 66 anos que esperava para marcar uma cirurgia na unidade de saúde. Ele morreu na hora. Outros dois idosos escaparam por pouco. O grupo saíra de uma tabacaria minutos antes, onde ingeriu bebidas alcóolicas a noite toda. Como é de praxe em casos como esse, o condutor do carro fugiu. Nos próximos dias, acompanhado de um advogado, certamente se apresentará à delegacia, fará uma "cena" e vai dizer que não havia bebido - apesar de várias testemunhas terem constatado isso - e que deixou o local do acidente temendo ser agredido ou linchado. É o argumento padrão dos covardes, devidamente aconselhados por seus defensores. Alguns dias antes, na região metropolitana de São Paulo, duas mulheres morreram depois que o carro onde estavam com os maridos e filhos pequenos foi atingido violentamente por um veículo importado que apostava corrida com outro igualmente potente.

O condutor do carro que causou a colisão fatal tentou fugir, mas foi localizado e preso e o motorista do outro carro apareceu dois dias depois dizendo que não contribuiu de forma alguma para a tragédia. Esses dois fatos, somados a inúmeros outros da mesma natureza ocorridos em 2017, apenas reforçam a certeza de que nossas leis ainda são frouxas e dão brechas para que os assassinos ao volante tenham chances reais de se safar. A mensagem é mais ou menos essa: fatalidades acontecem, se você foi irresponsável, imprudente e acabou tirando a vida de uma pessoa, não se desespere. Em pouquíssimo tempo você poderá retomar a sua rotina normal, sem grandes problemas. Postará nas redes sociais fotos fazendo pose em baladas enquanto a família que você destruiu apenas viverá mais um capítulo do sofrimento dilacerante que a abateu. É clichê dizer que o motorista do carro que matou o idoso na policlínica dificilmente ficará mais que uma semana na cadeia? E que os advogados dele vão oferecer alguma mixaria para a família da vítima com o intuito de convencê-la a desistir de processos judiciais? Enquanto o conjunto de leis penais do país não se moderniza, de forma a prever punições rigorosas e diferenciadas aos infratores, confia-se na interpretação mais realista da autoridade policial para casos absurdos como o de São Paulo.

Quem faz "racha", assume toda a responsabilidade de matar quem estiver pelo caminho, sem aquele papo de "não ter intenção" e "lesão corporal seguida de morte". O mesmo serve para quem trafega na contramão ou está completamente embriagado em uma rodovia. Se a colisão causou morte, é homicídio doloso, ou seja, intencional. Esta qualificação de crime, caso referendada pelo Ministério Público e posteriormente pelo júri, é fundamental para reduzir a impunidade aos criminosos do volante. Pouquíssimos motoristas assassinos foram devidamente condenados e cumpriram a pena imposta a eles. Quase ninguém fica anos na cadeia por esse motivo. A mudança tem que começar agora e por autoridades com coragem suficiente para fazer a verdadeira justiça.



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