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Domingo, 14 de janeiro de 2018, 00h00

Trump é guru de muita gente

da editoria


O Brasil do reacionarismo mais arraigado tem em quem se espelhar. O homem mais poderoso do mundo, o presidente dos Estados Unidos, vem se consolidando como grande referência para quem luta para que nada mude. Donald Trump dava sinais de seu caráter durante a campanha eleitoral. Aproveitou que a gestão de Barack Obama não foi campeã de unanimidade para surgir como o disciplinador, aquele que recolocaria as coisas em ordem de forma dura e intransigente, após anos de discursos "bobos" de liberdade às minorias, igualdades raciais e de gênero, entre outras da mesma espécie. Resgataria o patriotismo em seu nível mais profundo e agiria como um republicano legítimo, reforçando que os EUA pertencem aos genuínos norte-americanos, de preferência brancos e com dinheiro. Durante uma reunião com congressistas na última quinta-feira, o presidente criticou a nova lei de imigração e questionou a razão de haitianos, salvadorenhos e africanos saírem de seus "países de m..." para se mudarem para os Estados Unidos.

Acrescentou que preferia imigrantes da Noruega, país nórdico que ostenta um dos melhores índices de qualidade de vida do mundo. Já que mencionamos a campanha política, Trump já prometia, lá atrás, construir um muro entre o seu país e o México, de onde sai o maior fluxo de imigrantes ilegais. Nos últimos meses de 2017, ele já havia proibido a entrada de cidadãos de cinco países muçulmanos em território americano. Mas a lista de impropérios vai muito além da questão migratória, que é usada por ele para destilar preconceito racial. Trump também é um comandante da tropa que se insurge contra os direitos civis dos homossexuais, algo que tem incomodado muita gente aqui no Brasil. Aliás, por essas bandas, a mesma turma que se indigna com a presença de "povão" viajando de avião também reprova o sucesso de uma cantora "drag queen", argumentando que a música é de má qualidade, etc.

Mas diz isso enquanto se delicia com canções que falam de bebedeira e "pegação da mulherada" que não resiste a um cara com carrão, ou aquele que compra o drink mais caro da balada. Como fazer críticas diretas a quem está fora de seu ciclo de vida pode parecer preconceito, o melhor era permanecer quieto. Mas com o respaldo de alguém importante como Donald Trump, o encorajamento é outro. Sob a tese de que os dias atuais têm muito "mimimi", defendem o "direito de expressão" e atacam os movimentos feministas, as cotas para negros nas universidades, a representação dos gays na mídia e nas exposições de arte, ao passo que se arvoram como grandes defensores da família e da moral. A evolução da sociedade é paradoxal. Há enormes avanços tecnológicos, mas nas relações sociais a impressão é que estamos andando para trás. Trump está apavorando quem tem a mente mais aberta e acredita que o mundo está mais globalizado, livre e tolerante. Mas o time de quem torce para que o progresso não ocorra é numeroso e poderoso. A manutenção do status quo interessa à muita gente. Mexer na zona de conforto dessa parcela privilegiada da população é como jogar álcool na fogueira.



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