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Terça, 13 de fevereiro de 2018, 00h00

Torcidas organizadas

Renato Paiva Pereira


Aconteceu com o Ministro Gilmar Mendes, mas poderia ter ocorrido com qualquer outra pessoa pública. Em outubro do ano passado durante um evento no estado de São Paulo ele foi atacado com tomates jogados por manifestantes recrutados através das redes sociais. O idealizador do grotesco manifesto teria oferecido um prêmio de 300 reais a quem atingisse a cabeça do ministro. Agora em fevereiro a Polícia Federal abriu inquérito para investigar os responsáveis. Deverão ser punidos, claro, menos pelo fato de o agredido ser autoridade, mas sim para ensinar o mínimo de respeito necessário a uma boa convivência social.

Em janeiro o mesmo ministro foi hostilizado em um voo comercial, quando diversas pessoas com a coragem estimulada pelo fato de estarem em bando e a vítima sozinha, insultaram o magistrado com palavras ofensivas a ponto do comandante do avião pedir a presença da Polícia Federal.

Estamos acostumados a cenas de torcedores de futebol insultando e ás vezes agredindo atletas dos times para os quais torcem, quando os resultados dos jogos não lhes agradam. Bandos se encontram em aeroportos e sedes dos clubes com o fim de hostilizar e até agredir fisicamente as mesmas pessoas que aplaudiam antes.

Os que se juntam com objetivo de brigar com torcedores rivais, agredir treinadores ou dirigentes, ofender árbitros, depredar ônibus e instalações de estádios geralmente tem pouca escolaridade, renda muito baixa e foram criados em ambientes conturbados.

Entretanto os que atacaram fisicamente o ministro em um momento e o ofenderam em outro, são pessoas aparentemente bem postas financeiramente e vindas de camadas mais privilegiadas da sociedade. Essa situação social por certo lhes deu oportunidade de frequentarem boas escolas o que não acontece, na média, com os participantes das torcidas organizadas. Mas, apesar da educação formal a que tiveram acesso, igualam-se aos fanáticos torcedores incivis, quando estimulados por companheiros mais exaltados.

O foco deste artigo não é o ministro, nem tampouco os atletas ou dirigentes de clubes esportivos, pois nenhum deles precisa de um cronista que os defenda. Minha implicância é com comportamentos toscos e grosseiros que resistem ao processo civilizador.

Sobre o episódio das vaias ao ministro, há alguns dias o Conselheiro do TCE Luiz Henrique Lima escreveu um bom artigo publicado na mídia local. Oito a cada dez leitores que comentaram o artigo, justificaram e aplaudiram a atitude dos insultadores que viajavam no mesmo voo do ministro Gilmar. Quanto mais irado o comentário divulgado, mais "likes" recebia dos que o liam. Alguns, misturando ideias com pessoas, atacaram a figura do Conselheiro articulista.

Os que jogaram tomates no ministro e os que insultam e agridem os jogadores e dirigentes de futebol por mau desempenho são muito parecidos. Tal qual os linchadores, só ficam valentes quando podem contar com a proteção do grupo.

Separada do bando a queixada não ataca a onça.

Renato de Paiva Pereira empresário e escritor

Contato:renato@hotelgranodara.com.br



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