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Sexta, 09 de março de 2018, 00h00

Empreendedorismo feminino

Marlei Rosa


No mês em que a figura feminina é celebrada, é válido destacar a importância de milhões de mulheres que contribuem para o desenvolvimento de um ecossistema empreendedor.

Dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, GEM 2016 revelou a ampliação da atuação das mulheres na abertura de novos negócios no Brasil. A pesquisa mostrou que 51 % dos novos empreendedores aqueles com menos de três anos e meio de atividade são mulheres.

Segundo a pesquisa GEM 2016, a maior parte dos 65 países pesquisados apresenta uma supremacia masculina no desenvolvimento de novos empreendimentos. As exceções ficam a cargo do Brasil e do México, que apresentam as taxas mais balanceadas de empreendedores entre homens e mulheres responsáveis por novos negócios.

No Brasil a Taxa de Empreendedores Iniciais (TEA) é de 19,9% para mulheres e 19,2% para homens, o que pode ser considerado uma distribuição bastante equilibrada, e evidencia a participação das mulheres para a formação da TEA. Este dado também é coerente com anos anteriores, pois em 2013 e 2015 as diferenças entre as taxas masculina e feminina foram de 0,2 e 1,4 pp (pontos percentuais) respectivamente.

Numa série histórica de 2007 a 2016 houve um aumento de 3.9 pp dos empreendedores iniciais do gênero feminino. Em 2016, o resultado da pesquisa demonstra uma leve supremacia feminina, com 51,5%, enquanto a participação masculina foi de 48,5%.

Em meio aos desafios de empreender, o dilema de conciliar família e trabalho permeia a atmosfera das empreendedoras, que se esforçam para desenvolver seus múltiplos papéis sociais, de empresária, mãe, esposa e sobretudo, como mulher.

Em pesquisa acadêmica recente com 13 empreendedoras do segmento de bolos e doces de Cuiabá/MT, pode-se levantar aspectos relevantes sobre este universo feminino, como a motivação para empreender, as dificuldades e oportunidades enfrentadas durante a abertura e gestão do negócio.

Entre as entrevistadas, 86% nunca tiveram um empreendimento anterior, e motivadas por uma oportunidade, aliada a uma habilidade pessoal, tomaram a decisão de empreender. Nesta fase inicial, 69% das empreendedoras apontaram o acesso ao crédito como a parte mais difícil para desenvolver sua ideia de negócio.

As mulheres que decidem empreender assumem a responsabilidade e o risco de um processo delineado por desafios e oportunidades, e que evidenciam a relevância do gênero para o desenvolvimento econômico e social da região em que estão inseridas.

Não há uma receita perfeita, entre tentativas e acertos, muitos são os obstáculos, como a gestão financeira, indicada por 63% das entrevistadas como a maior dificuldade na gestão do próprio negócio.

O estudo ainda revelou que os empreendimentos pesquisados têm importância significativa para composição de renda destas famílias. Visto que, para metade das entrevistadas, o negócio representa 50% do rendimento, e para 17% é a principal renda familiar.

Essas mulheres refletem o histórico de luta e persistência de milhares de empreendedoras que trilham o caminho do Empreendedorismo. No ambiente empresarial, culturalmente dirigido por homens, a presença feminina adiciona um ingrediente especial, que contribui para a dinâmica dos negócios, pois mistura sensibilidade, fortaleza e energia.

Esta é uma questão que não se resume a um confronto de gêneros ou equiparidade de direitos. E sim, uma ambiência de complementaridade e equilíbrio entre homens e mulheres que desenvolvem suas funções profissionais, conforme suas competências e perfil empreendedor.

A trajetória ascendente, por vezes sinuosa, de duelos e conquistas do público feminino, reflete na mudança de pensamento da sociedade, especialmente do posicionamento da mulher no mercado empresarial. Esse trajeto percorrido tem um valor imensurável, pois simboliza o doce sabor da vitória e da valorização profissional de tantas empreendedoras que ousam sonhar e construir seu próprio negócio.

Marlei Rosa, publicitária, analista de marketing e gestora de eventos do Sebrae MT



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