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Sábado, 10 de março de 2018, 00h00

Editorial

Violência epidêmica

Da Editoria


Infelizmente, a violência urbana já tornou-se uma marca registrada brasileira. Segundo o ranking das 50 cidades mais violentas do mundo, divulgado esta semana pela organização de sociedade civil mexicana Segurança, Justiça e Paz, 17 são brasileiras.

O Brasil é o país com o maior número de cidades violentas, segundo o levantamento feito anualmente com base em taxas de homicídios por 100 mil habitantes.

O ranking é encabeçado pela mexicana Los Cabos (com 111,33 homicídios por 100 mil habitantes em 2017) e pela capital venezuelana, Caracas (111,19).

A capital do Rio Grande do Norte, Natal aparece em quarto lugar, com 102,56 homicídios por 100 mil habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera uma taxa acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes como característica de violência epidêmica.

Outras cidades brasileiras que aparecem no ranking são Fortaleza (CE), Belém (PA), Vitória da Conquista (BA), Maceió (AL), Aracaju (SE), Feira de Santana (BA), Recife (PE), Salvador (BA), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Macapá (AP), Campos de Goycatazes (RJ), Campina Grande (PB), Teresina (PI) e Vitória (ES).

Fortaleza é destacada no relatório por apresentar uma taxa de homicídios com um crescimento 85% entre 2016 e 2017 - de 44,98 para 83,48.

No caso brasileiro chama atenção o crescimento da violência em cidades de menor porte, sobretudo, do Norte e Nordeste. Antes pacatas e sonho de consumo de muita gente que pensava em deixar os grandes centros, hoje elas se tornaram redutos da violência, num quadro assustador.

A boa notícia é que Cuiabá e mais outras duas cidades brasileiras - Curitiba (PR) e São Luís (MA), que figuravam no ranking de 2016, deixaram de aparecer em 2017.

No entanto, como o Brasil não investiga seus homicídios (mais de 90% deles ficam impunes), é difícil identificar com total certeza as relações de causa e consequência no que diz respeito à violência urbana.

Porém, estudiosos do tema e especialistas apontam como alguns dos motivos para a explosão da violência, aspectos como a guerra de facções criminosas, avanço do tráfico de drogas e crescimento urbano desenfreado sem planejamento adequado e oferta de serviços básicos, incluindo segurança pública.

Em grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, mesmo o número absoluto de homicídios sendo maior, a taxa é menor, já que resulta do cálculo do total de assassinatos dividido pelo tamanho da população. São Paulo, por exemplo, teve taxa de 8,02 homicídios por 100 mil habitantes em 2017; o Rio, que vive uma grave crise de segurança pública, viu sua taxa crescer de 29,4 em 2016 para 32 homicídios por 100 mil habitantes no ano passado.

O ranking mostra ainda que a América Latina é o continente com o maior número de cidades violentas do mundo: das 50 listadas no ranking, apenas oito não são latino-americanas.

Doze das cidades estão no México, país que vive anos de enfrentamentos entre cartéis de drogas e forças de segurança.

E quatro são norte-americanas, Detroit, Nova Orleans, St Louis e Baltimore.

Independentemente da cidade, do porte ou do país, o que se percebe em comum entre elas é a presença do narcotráfico e todos os envolvimentos e reflexos no seu entorno.



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