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Segunda, 12 de março de 2018, 00h00

Sem educação não há futuro

da editoria


Apesar de décadas de esforços para levar todas as crianças para dentro da sala de aula, o progresso está estagnado. A questão, que afeta nações do mundo inteiro em maior ou menor grau dependendo do desenvolvimento socioeconômico, revela que cerca de 263 milhões de crianças, ou um em cada cinco adolescentes e jovens em todo o mundo, estão fora da escola. Esse número é semelhante ao que vem sendo registrado pela Unesco nos últimos cinco anos.

Em prol da educação e da inserção deste público em sala de aula há um comitê internacional com a meta de garantir que todas as meninas e meninos possam completar a educação primária e secundária de boa qualidade até 2030. É uma meta ambiciosa quando se constata que 63 milhões de crianças entre 6 e 11 anos estão fora da escola e 61 milhões de adolescentes entre 12 e 14 anos estão na mesma situação que se repete para 139 milhões de jovens de 15 a 17 anos. Essa terceira faixa etária, dos mais velhos, é a mais penalizada com a ausência de uma educação formal.

Esse é um problema que tem raízes diversas, passa por uma escola pouco atrativa e esbarra também na necessidade que muitos jovens, principalmente os pertencentes às famílias de classes mais baixas, têm de trabalhar. O Brasil está entre os seis países com maior taxa de jovens entre 15 e 16 anos no mercado de trabalho. A atividade remunerada é exercida antes ou depois de irem à escola, mas influencia diretamente no desempenho em sala de aula, geralmente inferior, nos índices de atraso e ausência, no sentimento de inadequação ao ambiente escolar e na maior tendência em deixar os estudos antes do fim do ensino médio.

A evasão escolar, aliás, é uma das grandes preocupações dos estudiosos e a disparidade existente entre os países mais pobres e os mais ricos revela que é necessário e urgente o investimento de recursos financeiros na garantia do acesso universal à educação. Por outro lado, é preciso sair do lugar comum e pensar em abordagens mais compreensivas e focadas no público-alvo para devolver, às crianças, adolescentes e jovens, um direito básico que lhes tem sido negado. Agindo em todas as frentes, será possível vislumbrar algum progresso e desestagnar esse caminhar em direção às metas previstas mundialmente.

Os recursos da educação são aqueles que, não raras as vezes, escorrem pelos ralos da corrupção. Comprometem o presente e o futuro dos cidadãos e o desenvolvimento socioeconômico do país onde estão inseridos. Construir escolas vistosas, no entanto, não basta quando são conhecidas as disparidades de aprendizagem existentes. Uma em cada seis crianças e adolescentes não atinge níveis mínimos de proficiência em leitura ou matemática. A informação é da Unesco, mas os números do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), estão aí para reforçar que estar na escola não significa, necessariamente, aprender.

Com isso, percebe-se que o problema não é apenas como e onde se ensina, mas o que se ensina. O acesso à educação é apenas uma questão a ser considerada, sendo a qualidade do ensino ofertado outro ponto que requer monitoramento constante e eficaz para garantir que, além de estar em sala de aula, as crianças estejam aprendendo o que precisam saber.



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