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Terça, 13 de março de 2018, 00h00

Editorial

Saúde de corpo e alma

Da Editoria


O Ministério da Saúde inseriu, nesta semana, dez novos procedimentos terapêuticos que, nas palavras do ministro Ricardo Barros, têm como foco atuar principalmente na prevenção de doenças e evitar que internações, operações e tratamentos tradicionais sobrecarreguem e gerem custos para o sistema. Com isso já são 29 as práticas de medicina integrativa e complementar baseadas em conhecimentos tradicionais oferecidas pelo SUS que têm como foco o bem-estar do paciente.

Abrir espaço na medicina tradicional para as chamadas terapias integrativas como acupuntura, biodança, meditação, musicoterapia, reiki, shantala, ioga, cromoterapia, florais e constelação familiar, entre outras, significa um olhar mais atento ao ser humano e à sua complexidade, compreendendo que os males físicos e emocionais - como as dores crônicas e a depressão, para ficar com apenas dois exemplos - podem ser tratados de maneiras diversas que não se restringem à prescrição de medicamentos alopáticos.

Muitos destes procedimentos fazem parte do SUS desde 2006 e, aos poucos, foram ganhando a adesão dos brasileiros. A acupuntura é a técnica mais procurada, com mais de 1,4 milhão de atendimentos individuais no ano passado, seguida da medicina tradicional chinesa, auriculoterapia e ioga. Com a inserção destas novas terapias, o Brasil é o país que oferece o maior número de práticas integrativas na atenção básica.

É uma iniciativa louvável quando se sabe que prevenir é sempre melhor que remediar, já diz o antigo ditado. Resta saber se a oferta de tais terapias e o acesso dos pacientes às mesmas será condizente com o entusiasmo das autoridades. Há muito - e por motivos vários - o Sistema Único de Saúde caiu na desgraça da população que considera, em sua grande maioria, os serviços péssimos e ruins. Dados divulgados pelo Conselho Federal de Medicina revelam que 87% dos brasileiros têm uma avaliação negativa dos serviços ofertados no SUS e dois em cada dez cidadãos atribuem nota zero, tanto para a saúde no Brasil quanto para o sistema público.

A saúde é uma das áreas nevrálgicas e mais sensíveis das políticas públicas e sociais e precisa ser olhada com toda atenção, sendo tema prioritário a ser tratado pelos governantes, mais até que a educação e o combate à corrupção. Portanto, a oferta de procedimento terapêuticos complementares à medicina tradicional é bem-vinda, mas só trata os efeitos almejados quando o atendimento estiver acessível à população.

Além de investimento em uma rede de profissionais capacitados, há outro esforço paralelo que precisa ser feito no sentido de conscientizar o cidadão. Apesar da popularização em algumas terapias mais conhecidas, ainda há muita descrença e desconfiança, principalmente no que se refere aos procedimentos que ainda não são populares entre os brasileiros. É uma mudança comportamental que precisa caminhar de mãos dadas com o esforço do governo em oferecer ao cidadão práticas de saúde que permitam uma vida saudável e produtiva.



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