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Quarta, 14 de março de 2018, 00h00

Editorial

Lições da crise

Da Editoria


A retomada da economia brasileira - iniciada no ano passado - e da geração de empregos formais ainda não refletiram positivamente nas residências brasileiras. Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 1% em 2017, depois de 2 anos consecutivos de retração. Os "salvadores da pátria" foram a agricultura e a pecuária, que responderam pela maior parte do crescimento na atividade econômica no período, ao contrário da indústria e do comércio, que ainda não tiveram condições para tirar o pé do freio e pisar no acelerador para sair da lama da crise.

Assim como nas empresas, a realidade ainda é dura entre as famílias brasileiras. Adentrando aos domicílios, o comprometimento da renda e a falta dela ainda impedem as pessoas de consumir e quando se firma um compromisso, há o risco de o pagamento não ser honrado. Também pudera, com cerca de 12 milhões de desempregados no país é praticamente impossível manter as contas em dia.

Prova disso são os dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) que apontam a existência de 61,7 milhões de pessoas com conta em atraso e com o CPF inscrito em algum banco de dados em fevereiro. Essa situação gera muitos nãos na hora de contratar crédito e de fazer compras parceladas. Esse contingente representa 40,5% da população com idade entre 18 e 95 anos. Ainda conforme a pesquisa, o número de pessoas inadimplentes aumentou 2,71% em fevereiro na comparação com o mesmo período de 2017. Na relação mensal, o crescimento é de 0,55%.

Mas não é só o desemprego o grande culpado pela inadimplência e o elevado grau de endividamento da população. A falta de planejamento financeiro e do hábito de poupar são comuns no país, comportamentos que agravam ainda mais a situação financeira familiar diante de uma crise como a que o país está passando.

Planejadores financeiros e especialistas em finanças pessoais têm plena convicção da dificuldade enfrentada pela maioria da população quando se trata de organização e disciplina com o dinheiro e aconselham mudança o mais rápido possível. Nos anos em que a economia registrou grande crescimento, pautada especialmente no estímulo ao consumo (leia-se redução de IPI para veículos, para linha branca e marrom, e para os materiais para construção), os brasileiros "esbanjaram". Sem falar na facilidade de contratação de crédito para a compra da casa própria, amplamente propagandeada pelo Programa Minha Casa Minha Vida. Não planejaram e compraram. Afinal, ninguém imaginava o que estava por vir.

O "falso crescimento" da economia brasileira, como classificam os economistas, terminou com elevado percentual de endividamento da população e a crise levou muita gente ao desespero. Compras de imóveis foram desfeitas, empresas quebraram e o orçamento doméstico ficou comprometido. Mas há de se destacar que a crise financeira trouxe um grande aprendizado: de que é necessário planejar o futuro e se precaver. A tradicional poupança ainda é o principal investimento para aqueles que guardam quantias menores. Foi o que salvou muitas famílias que guardaram dinheiro e puderam enfrentar o pior da crise sem tanto sofrimento. Ao contrário daqueles que não têm o hábito reservar dinheiro e que sentiram na pele o quanto a falta de dinheiro pode ser cruel.

Que as novas páginas que começam a ser escritas pelo país possam contar sobre esses aprendizados e quem sabe, estimular as pessoas a se organizarem mais, a se preocuparem com o futuro. Para que tenham uma simples poupança ou apliquem em outras modalidades, e assim tenham uma condição melhor para enfrentar momentos difíceis. Afinal, seguro morreu de velho, já diria o ditado. E o grande benefício disso tudo é a formação de uma geração de consumidores mais seguros e conscientes.



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