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Segunda, 16 de abril de 2018, 00h00

Tecnologia na infância

Maria Augusta Ribeiro


Novas regras indicam caminhos saudáveis para equilibrar a quantidade de horas que os pequenos ficam em frente às telas azuis. A vida digital das crianças começa cada vez mais cedo. E por isso, pais precisam rebolar para equilibrar a quantidade das horas que os pequenos ficam conectados. Mas afinal, qual o limite da tecnologia na infância?

Recentemente a academia americana de pediatria lançou um documento chamado de "Manual de saúde da criança e do adolescente na era digital", que consiste em um relatório sobre os efeitos nocivos da internet e algumas regras para que os pais fiquem alertas.

O manual afrouxa um pouco as regras para os bebês, que antes era proibido o uso de qualquer tecnologia antes dos dois anos, para 18 meses, com supervisão de adulto. E para os mini internautas de 2 a 5 anos, o acesso à net é liberado apenas 1 hora ao dia.

Extremo para uns e ideal para outros, o manual busca formatar os limites da vida on line na infância, porque é nela que os impactos físicos sofridos pelo excesso do online no cérebro são maiores.

Diante de um mundo cada vez mais conectado, fica difícil a proibição total. E como vamos criar adultos abertos à inovação, se não os preparamos na infância para o futuro? Mas o alarme é grande e os impactos sobre as crianças começam a fazer suas vítimas, e vira questão de saúde pública.

Muitos médicos e especialistas afirmam que até os 2 anos e meio a criança não consegue transferir o que vê na tela para a realidade. É justamente nesse período que o cotidiano influencia para a amadurecimento do cérebro e construção da personalidade e aprimoramento da linguagem.

Se uma criança de até dois anos somente tem contato com o tablet, fone de ouvido e smartphone, que ser humano ela vai se tornar? Especialistas dizem que 100% dessas crianças terão dificuldade de empatia com outros que não sejam uma tela.

O que isso significa? Que teremos pessoas com ausência de relacionamentos físicos, com falta de compreensão da dificuldade alheia, má identificação das emoções humanas, e uma total falta de reconhecimento dos animais.

Além dos desvios cognitivos, teremos os físicos, que são sedentarismo, enxaqueca, insônia, problemas oftalmológicos, ansiedade, hiperatividade, falta de noção de espaço, problemas ortopédicos e o desgaste das digitais.

Não dá para esperar que uma geração de pessoas desenvolva isso porque não fomos capazes de achar um equilíbrio entre o físico e o virtual.

Para tornar essa tecnologia menos maléfica, há algumas dicas que podem ajudar a sua família a ser digital e estar super conectada na vida real:

Dê exemplo. Se você não desgruda a cara do seu smartphone quando chega em casa, como o seu filho vai entender que há vida além?

Estabeleça um momento off line para toda a família. É nesse período que diálogos são apropriados, converse com seu filho.

Antes dos 12 anos, smartphone só se for emprestado do adulto. Segundo a organização americana e canadense de pediatria, é na infância que a internet tem mais impacto na saúde, e sem acompanhamento, estará mais propenso a bullying e acesso a pedófilos.

Estimule o toque entre pais e filhos, como aperto de mão, abraço, beijo e carinho. É através do toque físico que nos comunicamos melhor e compreendemos o que é empatia.

Brincar no físico é essencial. A melhoria da memória e do aprendizado são melhor estabelecidos quando brincamos e trocamos experiências no físico.

Com medidas simples podemos equilibrar a quantidade e a qualidade que os pequenos utilizam a internet, e ainda gerar adultos mais conectados no físico e com menos conflitos no futuro.

Maria Augusta Ribeiro. Profissional da informação, especialista em Netnografia e Comportamento Digital - Belicosa.com.br



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