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Terça, 17 de abril de 2018, 00h00

Editorial

Acesso à rede

Da Editoria


Marco Civil da Internet estabelece que o acesso à rede é questão de cidadania, ponto. Mas a realidade brasileira não passa exatamente por essa democratização quando a análise envolve diretamente a questão social, determinante para definir o livre acesso à web. Pesquisa do Centro Regional para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, (Cetic.br), de 2016, mostrou que enquanto 85% das pessoas nas classes A e B acessam a internet pelo computador e 74% pelo celular, 46% das pessoas inseridas na classe C e 76% nas D e E, têm acesso exclusivamente à internet, pelo celular.

Esse panorama ajuda a entender o porquê da preocupação atual com os hábitos do brasileiro em relação ao uso da internet e celular no Brasil quando o olhar foca na expansão das "fake news" que circulam pela rede. Quando o acesso à internet por exemplo se dá somente via celular, a possibilidade de se checar informações que chegam nas telas de cristal, por exemplo, diminui muito se o pacote de dados se esgota, porque o usuário pode acessar alguns aplicativos, mas não pode abrir links, fazer uma simples pesquisa na internet ou ler notícias em portais de jornalismo ou de outras fontes para checar se é ou não verdade aquela informação que recebeu e que na maioria das vezes é repassada displicentemente sem critério algum ou filtro.

É na esteira desse raciocínio, apoiado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2016, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a preocupação faz mais sentido, já que o estudo mostra que 94,5% dos brasileiros usam a Internet apenas para trocar mensagens por meio de aplicativos, tipo WhatsApp ou facebook.

Mas as opiniões se dividem nessa análise, claro, como no caso da chamada de "zero rating", prática das operadoras de telefonia em prover aos usuários, dados ilimitados e sem custo para determinados aplicativos como redes sociais, streaming de música ou vídeo e programas de navegação, entre outros tantos. Segundo informações da Anatel em dezembro de 2017 existiam mais de 50 ofertas da telefonia móvel, nesse âmbito, sendo comercializadas no país.

Numa ponta da corda estão os que defendem essa prática como grande salto para a inclusão digital. Já na outra ponta, os que defendem que acessar a rede só por meio de determinados aplicativos acaba restringindo o acesso do usuário a todo o conteúdo disponível na internet e com isso, a potencialização de notícias falsas, por exemplo, sobretudo nesse momento político crítico que atravessa o país é muito propício.

É uma questão a se pensar com muita responsabilidade. Embora a leitura lúcida da vida, comece muito antes do acesso à rede, antes mesmo do assento nos bancos escolares. O sentimento de cidadania nacional começa dentro de casa, no exemplo repassado pela família e só depois num processo natural inevitável se segue quando a porta da casa se abre para o mundo.

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