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Sábado, 12 de maio de 2018, 00h00

É preciso sonhar

Rapphael Curvo


É interessante que, e aqui não faço nenhuma defesa, apenas constato, a divulgação do documento americano sobre o período autoritário dos militares é uma informação que não menciona a fonte e nenhum outro meio que a possa ter gerado. É bem provável que está em curso a operação "abafa Bolsonaro". Há uma situação interessante nesta divulgação e ela está atrelada ao fato de que todos documentos do Tio Sam sempre foram rejeitados pela esquerda por entender que criados ou montados contra seus líderes, mas este documento imperialista é válido. Pedro Dallari, que foi presidente da Comissão da "Verdade", surgiu esbaforido dizendo-se "estarrecido" com o que consta do citado documento: as ordens de execuções dos companheiros de guerrilha determinadas pelo então Gal. Figueiredo, chefe do SNI com conhecimento do ex presidente Geisel. Nada justifica qualquer execução, mas o mesmo pensar tem que valer para as ações de execuções do outro lado da trincheira. Pedro Dallari, como todas esquerdas festivas e psicopatas, omite, sem considerar "estarrecedoras", as ordens de execuções de companheiros revolucionários, considerados traidores, e de muitos outros opositores aos terroristas. Essas ordens partiam, segundo divulgação na mídia, da chefe do comando "revolucionário" Dilma Rousseff, conhecida pela alcunha "Wanda", "Heloísa", "Marina" e outras. Tanto para um como para outro lado, era o preço da luta empreendida dentro do conceito de que a toda ação corresponde uma reação de igual grandeza ou intensidade.

Este tipo de informação sempre repercute em países de frágil estrutura cultural e política. Tem o alvo das candidaturas a Presidente da República. Estão ficando cada dia mais consolidadas as questões que envolvem o candidato Geraldo Alckmin com a justiça e malfeitos. A meta do marketing, gerado pelos canais formadores de opinião, está direcionada à desconstrução da pessoa do candidato. Bolsonaro estava preservado, até este momento, dessa ação. O documento sobre os comandantes do Exército cai como um presente aos opositores dele, Bolsonaro, porque afeta diretamente a sua formação de origem militar. Os dois, Alckmin e Bolsonaro, são as apostas de outubro até o momento. Estas ações visam viabilizar a desmoralizada composição MDB e PT. Ainda restam esperanças de que, ambos, associados a outras candidaturas, PSDB incluso, consigam se manter de alguma forma ao lado do Poder. É nesta toada do campo de salvação, que serão conduzidas as campanhas dos partidos que viveram nas tetas do governo.

Alckmin mesmo que sobreviva aos problemas com a justiça, dificilmente terá avanços, é frágil fora da fronteira paulista. Acredito que o João Doria deve ser lançado para ocupar esse espaço e com grandes chances diante do que está a exigir o momento político e a situação econômica e social do Brasil. João Doria, em tese, é o contra ponto do populismo que deveria ser assumido pela figura do Alckmin, que se perdeu, entre outros atos, ao se posicionar contra a cassação do Temer e aceitar sua aproximação, ao abraçar a defesa do Aécio Neves e ainda ser tolerante com o PT (Dilma e Lula). A religião petista é uma dissidência da igreja PSDB, mas unidas nos interesses dos grupos da velha política. O João Doria, presume-se, preservará certa distância nessa conjunção de "desejos". Ele é o único fato novo visível aos olhos da população. Para mim é a transição para uma gigantesca mudança na forma de fazer política. No mundo todo o atual processo político partidário se esgotou e não terá muito tempo de vida, está na fase dos últimos suspiros. Não adianta, por exemplo, eleger Macron, presidente da França, se o sistema (o mecanismo) o engole. Queiram ou não, ainda vivemos, em grande parte do mundo, dentro de um cenário engessado de um caudilhismo, dependentes de um líder. A população já percebeu isso e não quer mais pagar a conta, onde poucos usufruem daquilo que pertence a todos. Temos que abraçar essa visão e lutar por ela para que o Brasil tire do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, o mofo político que tomou conta. Então, só nos resta sonhar e torcer.

Rapphael Curvo é advogado, jornalista e escreve neste espaço aos sábados



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