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Domingo, 13 de maio de 2018, 00h00

Barbosa, o outsider

da editoria


A desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Joaquim Barbosa de concorrer à disputa presidencial foi a pá de cal para aqueles brasileiros que ainda tinham um fio de esperança de ver um outsider na lista de candidatos, hoje preenchida por mais do mesmo ou por gente que tem um enorme potencial de decepcionar o eleitorado com muita teoria e pouca prática. Barbosa disse que sua decisão teve motivos estritamente pessoais, mas em conversas reservadas deixou escapar que ouviu o próprio coração, que sabiamente o aconselho: "não mexe com isso, não".

Segundo pesquisas do Datafolha, Barbosa era o único a não pertencer ao universo político com alguma chance de chegar ao Palácio do Planalto. Considerado a grande novidade do ano, tinha 10% dos votos nas primeiras sondagens, índice que poderia crescer vertiginosamente tão logo começassem as campanhas. Estas aquele "Deus nos acuda" que todo mundo já conhece, com muita sujeira guardada debaixo do tapete vindo à tona, uma baixaria que envergonha até o menos pudico dos eleitores brasileiros.

Além de uma trajetória pautada pela Justiça, por si só algo louvável entre os que se pretendem comandar uma nação, Barbosa tem conhecimento de causa, sabe o que enfrentaria pela frente se tivesse aceitado ser candidato. Deixou bem claro que carece de uma característica intrínseca a quem quer ser vencedor em um pleito eleitoral, o amor pelo poder. Sua declaração expõe uma outra qualidade que tanto falta à classe política, a sinceridade. Com uma clareza invejável de ideias, o ex-ministro do STF coloca o dedo na ferida ao chamar a atenção para o que ninguém quer enxergar - e tampouco encarar - em seu projeto político: o aprofundamento das desigualdades, a miserabilidade, a inexistência de propostas que tirem o Brasil e os brasileiros do buraco.

Não é de hoje que Barbosa vem sendo sondado como um possível candidato ao cargo máximo do Brasil. Ao ser eleito presidente do STF, em 2012, ele foi o primeiro negro a comandar a Suprema Corte do país. Sua toga preta - e sua posição severa frente aos acusados no processo do mensalão, do qual foi relator - fizeram com que ele fosse comparado ao Batman, também pelo espírito "justiceiro" que foi associado posteriormente ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato.

O entusiasmo dos internautas foi tanto que foi criada uma página no Facebook encorajando sua candidatura para as eleições presidenciais de 2014. Quatro anos depois, havia esperanças até que ele próprio comunicou, em alto e bom som, a sua desistência.

Em um horizonte sem Barbosa, enxerga-se Bolsonaro, Michel Temer, Geraldo Alckmin e Lula, para ficar apenas nos principais. Este último, aliás, ainda é uma incógnita para o país, mas uma carta certa no baralho do PT que decidiu enquadrar aqueles que mencionassem a existência de um plano B. Com uma situação jurídica bastante confusa, Lula segue como preso político e assim deverá ser considerado até que todas as tentativas se esgotem. Apesar disso, há movimentação nos bastidores para uma união com outras forças de esquerda que poderiam definir os rumos da legenda em outubro.

Mais preocupante que esse universo de "estrelas" que querem brilhar no alto do pódio em outubro de 2018 é a ausência de planos, propostas, projetos, informações palpáveis que possam subsidiar a escolha do eleitor. O que se vê é uma batalha de egos e muita incerteza. Em um país tão desigual como o Brasil, isso não é nada bom.



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