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Segunda, 14 de maio de 2018, 00h00

Vítimas inocentes

da editoria


É senso comum de que o lar é o lugar onde a criança deveria ser protegida e se sentir mais segura. No entanto, não é bem assim para um grande número de menores que sofre abusos e violência sexual cometidos por parentes, amigos da família e pessoas próximas, muitas vezes dentro de casa. Mais de 60% dos casos ocorrem no próprio ambiente familiar.

Recentemente, o caso de uma menina de seis anos, moradora de Várzea Grande, estuprada pelo tio, chamou atenção e foi objeto de cobertura intensa por parte da imprensa. A menina teve o órgão genital dilacerado e precisou passar por uma cirurgia. O crime ocorreu no último dia 05, e em seu depoimento, o tio Gelson José Costa Marques, 27, demostrou total frieza e nenhum arrependimento.

Balanço da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) mostra que apenas no primeiro quadrimestre de 2018, 589 menores, com idade entre 0 e 17 anos, foram vítimas de crimes sexuais. Uma média de seis menores por dia são vítimas de violência sexual em Mato Grosso. Estupros correspondem a 68% das ocorrências. Somam 402 casos, sendo que 336 são estupros de vulnerável (onde o ato sexual pode ou não ser consumado).

E esses dados, por mais absurdos que pareçam em termos de volume, não correspondem à realidade, ao contrário, estão longe dela. Especialistas alertam que apenas 10% dos casos são registrados. A subnotificação é comum e representa um véu que encobre os verdadeiros números desse cenário tão cruel.

Cuiabá e Várzea Grande juntas somam 22% dos registros de crimes sexuais contra menores no Estado. De janeiro a abril foram 79 ocorrências na Capital, sendo 56 estupros. Em Várzea Grande, dos 56 registros, sendo 36 estupros.

No levantamento da Sesp deste primeiro quadrimestre, foram elencados ainda 45 ocorrências de assédio sexual, 83 tentativas de estupros, 24 abusos de incapaz, 11 atos obscenos, além de 5 casos de favorecimento à prostituição, ou outra forma de exploração sexual. Os dados da Capital apontam 13 tentativas de estupro, 3 abusos de incapaz, 2 assédios sexuais e outros crimes. Já em Várzea Grande foram 8 tentativas de estupros, 8 registros de assédio, 2 atos obscenos, entre outros.

Em 2017, 1.939 menores foram vítimas de violência sexual em Mato Grosso, sendo uma média de cinco casos por dia, um aumento de 3% dos casos na comparação com 2016, quando se registrou 1.882 casos.

Os crimes de estupros de vulnerável e estupros corresponderam a 64% dos registros, somando 1.252. Os estupros tentados somaram 11% dos registros de violência sexual contra menores, 223 casos em 2017.

No ano passado, foram ainda 149 ocorrências de aliciamento e assédio de crianças para prática de ato libidinoso. Além de 99 assédios sexuais, 48 abusos de incapaz, 50 favorecimentos à prostituição ou outra forma de exploração sexual. Cuiabá e Várzea Grande somaram mais de 24% dos registros de violência sexual contra menores, ocorridas em Mato Grosso no ano passado.

A violência contra menores é, sem dúvida, uma das formas mais cruéis de atentado a um ser humano. Trata-se de uma brutalidade contra alguém que ainda não tem meio de se defender. Pior, muitas vezes não consegue se expressar para contar o ocorrido ou, quando o faz, nem sempre recebe a devida atenção.



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