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Terça, 12 de junho de 2018, 00h00

Brasil, a roça do mundo?

Aluisio Arruda


A alta quase diária dos combustíveis, mostra de forma mais clara a estratégia dos que acham que o Brasil será eterna colônia, um mero fornecedor de matéria-prima.

Qual o motivo de comprar os nossos poços petrolíferos, levar o óleo cru para ser refinado nos Estados Unidos? Seria somente obter maiores lucros? A estratégia é tornar nossas refinarias obsoletas, enfraquecer a Petrobras depois privatizá-la a preço de banana. Mas não é só isso.

A Petrobras detém 10% do nosso PIB, é uma empresa muito importante para nosso parque industrial, assim como a Eletrobras e outras. O que há muito tempo trabalham com a tal política do "livre mercado", do liberalismo, das privatizações, é quebrar nosso parque industrial que já foi de 25% do PIB e hoje, principalmente devido a essas políticas, está em 10%, inviabilizando aos poucos o desenvolvimento do Brasil.

Essa velha política liberal, do "livre mercado", de privatizações jamais serviu às grandes nações. A prova é a recente medida tomada por Donald Trump de sobretaxar o Aço e outros produtos importados do Brasil, China, Alemanha, França e outras. Para justificar Trump responde "America first"; ou primeiro devo salvar nossas industrias, os demais que se explodam. Outras provas estão na história desde a 1ª revolução Industrial começando pela Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos, Japão, enfim os chamados países desenvolvidos. Nenhum deles aceitou o "livre mercado". Todas protegeram suas industrias e garantiram o seu autônomo desenvolvimento. O Japão, mesmo invadido pelos Estados Unidos, após a 2ª guerra, jamais aceitou sua política de "livre mercado".

O tal liberalismo, "livre mercado", privatização (principalmente de setores estratégicos), na verdade é uma estratégia das grandes Nações para impedir o desenvolvimento das demais, impedindo que estes desenvolvam industrias e concorram com elas, diminuindo suas vendas de produtos e seus lucros. Essa velha guerra existe, desde que mundo é mundo, os grandes subjugando, explorando, roubando as riquezas dos mais fracos.

A história do Brasil mostra inclusive que todos os governantes que se opuseram a essa política, foram derrubados, banidos ou presos, desde Getúlio Vargas, João Goulart, Dilma, e agora Lula. E paradoxalmente com significativo apoio de políticos, de instituições como as Forças Armadas, Judiciário, da elite e grande parte da classe média, e da mídia hegemônica; esta como dizia o vietcong Ho Chi Min, "quem paga a banda, escolhe a música". Quem paga a rede Globo e as demais?

Ao povo brasileiro que realmente deseja o progresso, a independência, o bem-estar social, condições dignas de vida e de trabalho, só resta um caminho. Ou tomamos pelas mãos os nossos destinos ou o Brasil estará condenado a ser a roça do mundo, eterna colônia, mero fornecedor de matéria-prima, de preferência in natura.

Aluisio Arruda é jornalista, arquiteto e urbanista



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