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Segunda, 09 de julho de 2018, 00h00

A educação do futuro

Daniel Almeida de Macedo


O perfil da chamada Geração Z, dos nascidos entre 1994 e 2010, segundo pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial, tem transformado a forma como se faz educação. Não obstante, educadores e instituições ainda não parecem estar no mesmo ritmo das mudanças do tempo atual, e continuam adotando práticas tradicionalistas, que provavelmente não serão decisivas para os desafios que o futuro do mercado de trabalho reserva.

A educação está em um campo da sociedade estritamente relacionada com o futuro. É por meio da construção do conhecimento e do desenvolvimento das capacidades que as crianças e os jovens se preparam para ocupar as posições de trabalho que hoje são desempenhadas pelos mais velhos. Há, portanto, uma importantíssima relação de causa e efeito, como bem observa o jornalista português David Rodrigues, "a educação molda as pessoas que moldarão o mundo de amanhã". É algo grandioso, mas que causa uma certa apreensão, afinal, como há uma grande parcela de incerteza em relação ao futuro para o qual se caminha, torna-se difícil definir quais os melhores paradigmas, as matérias mais apropriadas e as competências a serem apresentadas ao jovem contemporâneo.

Algumas aptidões, que à luz das intensas transformações da atualidade passam a ser consideradas importantes na formação dos alunos, hoje sequer tem correspondência no conteúdo programático da alfabetização básica, como português e matemática. São as chamadas Habilidades de Aprendizagem Social e Emocional (SEL em inglês, Social and Emotional Learning), talentos que ainda estão fora, mas já são apontados como essenciais nos dias de hoje, pois liberam a criatividade, desenvolvem a comunicação e colaboram para aprimorar o processo de resolução de problemas. Jovens com esse conjunto de destrezas, que conjugam técnica e emoção, terão melhores condições de atuar em um mercado de trabalho cada vez mais influenciado pela tecnologia digital.

Ainda que o modelo escolar atual esteja em desconformidade e desafiado pelas mudanças impostas pela pós-modernidade digital, que exige todo um novo conceito de conhecimento e trabalho, não é possível ignorar a importância do ensino considerado "clássico", já que foi este o modelo que nos trouxe até aqui. Mas a evolução da sociedade, especialmente a partir dos anos oitenta do século XX, mostra de forma evidente que o Brasil, mas também vários outros países emergentes ou desenvolvidos, estão em uma encruzilhada na área da educação.

Diante de tantas incertezas quanto a melhor metodologia a ser adotada e qual tipo preciso de conteúdo a ser ministrado, para subsidiar os jovens de hoje com o cabedal de saberes necessários para o futuro, talvez o melhor seja procurar garantir a melhor educação possível hoje. De forma simplória, isto significa transmitir os conhecimentos com esmero, em meio a ambientes saudáveis e inspiradores. Esse contexto educacional edificante proporciona ao aluno condições para desenvolver, tornar-se cidadão, e enfrentar o intenso ritmo de mudanças da atualidade.

Daniel Almeida de Macedo é doutor em História Social pela USP e escreve neste espaço às segundas-feiras. Contato: danielalmeidademacedo@gmail.com



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