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Terça, 10 de julho de 2018, 00h00

Vida longa ao Javalis Selvagens

da editoria


Há exatos19 dias os olhos e o coração do mundo se voltam para a dramática situação de um grupo de meninos entre 11 e 16 anos, jogadores de um time de futebol juvenil, o Javalis Selvagens, que acompanhados pelo treinador assistente ficaram presos em uma caverna na região de fronteira entre a Tailândia e Mianmar, no dia 23 de junho. As fortes chuvas que caíram na região acabaram ilhando o grupo em um pequeno local enlamado e desde então, uma tensa corrida contra o tempo e contra as águas foi deflagrada com apoio irrestrito da população e de inúmeros países que não estão medindo esforços para compor as equipes de resgate.

As notícias dão conta que até a noite desta segunda-feira (9), os adolescentes que foram resgatados numa das operações mais delicadas e difíceis da história recente, já que nenhum deles sabe nadar e nunca teve qualquer contato com equipamentos de mergulho. Para se ter uma ideia, entre a ida e a volta até o local onde estão os javalis selvagens, leva, no mínimo, 11 horas. E as chuvas que não dão trégua dificultam o trabalho dos especialistas. O processo todo não é fácil e vale lembrar que um dos experientes voluntários, ex-marinheiro de 38 anos, morreu durante a travessia.

Para uns, tragédia anunciada - por haver sinalização de advertência sobre o perigo no local -, para outros, fatalidade, já que o time sempre costumava fazer esse tipo de passeio após os treinos. Fato é que agora estão lá, à espera de que surja literalmente uma luz maior que os resgate sãos e salvos, cada vez que uma lanterna submerge da água.

Ao lado deles, um jovem de 25 anos, de nome Ekapol que antes da tragédia se preparava para assumi-los como treinador. Ex-monge, de origem pobre como a maior parte grupo, "Ek", é hoje segundo as autoridades, o mais fraco deles, por ter durante os 9 dias em que ainda estavam sem contato com o mundo de fora, repartido entre todos, o pouco da comida e da água que tinha levado para o passeio.

O mesmo "EK" que tem se colocado como uma liderança amorosa e firme, que pediu desculpas aos pais e que está conseguindo manter o bom ânimo dos meninos, na mais precária situação, os ensinando a conservarem o máximo de energia, os mantendo despertos através da prática da meditação e dos conhecimentos acumulados durante anos no mosteiro. Dessa forma, entre os dias que passam está conseguindo manter a chama da esperança e da confiança em cada coração descompassado pelo pânico, a partir da força de seu próprio coração.

Do lado de fora, não há, pelo menos por parte dos pais, dos amigos ou da comunidade, nem o chicote e nem o tronco que condenam e punem. Em todas as entrevistas, os pais se dirigem ao treinador "Ek" com muita gratidão. "Quando ele (Ekapol) sair, precisaremos curar seu coração", disse uma mãe em entrevista, enquanto de outro lado, outra amorosa declaração: "Meu querido Ek, eu jamais o culparia".

A cada história contada, uma lição de vida ressoa esperançosa daquela cadeia de montanhas emocionando a todos e convidando à reflexão.

Como estaríamos reagindo se essa situação tivesse acontecido em terras tupiniquins?

Será que também pensaríamos em meio a tanta aflição, em curar o coração do treinador?



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