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Quarta, 11 de julho de 2018, 00h00

A evolução da carne

Arno Schneider


O mercado de carne bovina de qualidade mudou muito no Brasil nos últimos 5 anos e ganha cada vez mais sofisticação. Já não podemos mais dizer que é um nicho, pois há pouco tempo os frigoríficos vendiam caixas para as grandes redes varejistas e agora vendem carretas.

A carne bovina Premium e Gourmet têm regras rígidas de produção, entre elas a exigência de animais com, no mínimo, 50% de genética europeia. Há também uma preferência dos frigoríficos por raças britânicas, tais como Aberdeen Angus e Hereford.

Os Machos devem ser jovens com menos de 24 meses, castrados e no máximo com dois dentes definitivos, o que caracteriza um animal jovem. As fêmeas podem ter até 4 dentes. A carcaça deverá ter um acabamento de gordura de acordo com as especificações dos frigoríficos.

A matriz será sempre uma vaca zebuína, basicamente da raça nelore, que quanto mais aprimorada geneticamente, melhor será o cruzamento, já que ela contribui com 50% da qualidade do bezerro.

As carnes de qualidade têm dezenas de marcas no Brasil. Todas são top de linha dos principais frigoríficos e redes de distribuição. Boa parte é vendida para steakhouses, restaurantes e churrascarias, que procuram cortes grill de alto padrão. As vendas no varejo através de supermercados e açougues especializados têm aumentado constantemente.

O segmento carne Premium, ao contrário dos vinhos e cafés, não está totalmente consolidado. O consumidor ainda não tem a clara percepção dos níveis de qualidade como diferenças de sabor, maciez, textura e apresentação dos diferentes e novos cortes.

Boa parte dos consumidores chegaram a um patamar que ao programarem um churrasco para os amigos, não querem mais se arriscar na compra da carne. Eles vão preferir pagar um pouco mais e ter certeza de oferecer um churrasco de qualidade.

Os principais fatores que impactam no maior custo de produção da carne de qualidade são a aplicação de níveis tecnológicos mais avançados como o uso de sêmen importado e medicamentos para estimular e sincronizar cios. É imprescindível a contratação de inseminador e veterinário para a seleção das fêmeas e diagnóstico de prenhez via ultrassom. Exige mão de obra especializada no manejo do gado durante todo o processo. Porém, o que mais influi nos custos é a necessidade do uso intensivo de ração na terminação dos animais.

O aumento da produção deste segmento irá ampliar as nossas possibilidades de exportação de carne para países mais exigentes. A exportação de bezerros vivos já é uma realidade.

Hoje, a procura é maior que a oferta, o que garante prêmios ao produtor. A fêmea por exemplo, recebe preço de macho mais outros bônus, dependendo da qualidade ofertada.

Devemos ampliar a nossa presença internacional como produtores e exportadores de carne bovina. Nosso desafio serão os mercados protegidos.

A produção de carnes Premium e Gourmet é um grande exemplo da transformação de uma commodity num produto mais qualificado e valorizado e com maior poder de penetração em mercados mais exigentes.

É inegável e perceptível que o segmento está em franca expansão e que a técnica utilizada na produção está dia a dia mais aprimorada.

Demanda tempo e tecnologia colocar um bife de qualidade no prato.

Arno Schneider é engenheiro agrônomo e pecuarista



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