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Quarta, 11 de julho de 2018, 00h00

A delação

Renato Gomes Nery


A delação, que no Brasil se chamou de premiada, foi a responsável pela descoberta e elucidação de cipoal de corrupção que existia e ainda existe no Pais. E ora, se aguarda com a ansiedade, a delação que já foi homologada recentemente de uma das cabeças coroadas do Partido dos Trabalhadores. A delação consiste, em suma, de dar alguns benefícios para criminosos, como a redução de penas, para quem delata (denuncia) as circunstâncias de crimes e pessoas neles envolvidas.

A delação que era feita apenas perante Ministério Público, conforme decisão recente do STF, poderá ser firmada pelas autoridades policiais, o que amplia o seu alcance e contribuirá, como já contribuiu, para tirar o Brasil do ranking de um dos mais corruptos países do planeta. E, certamente, para debelar o crime organizado que grassa de forma impiedosa e implacável, as hostes da nossa sociedade.

O livro A Delação - Editora Rocco/2017, do escritor americano John Grisham, autor de mais de duas dezenas de livros premiados, notadamente, na área judicial, narra os meandros da corrupção de uma forma geral e, dentro do Poder Judiciário, em episódios, no Estado da Flórida/EUA.

Com riquezas de detalhes, expõe como a polícia age para debelar o crime organizado, com a aplicação da Lei RICO que ampliou os meios de investigação, tratando o crime organizado como um risco público.

No Brasil, muitos aguardavam que as inúmeras operações policiais, chegassem ao Poder Judiciário, mas parece que não chegou até o momento, aos menos, da forma que era esperada.

E veja esta introdução do livro onde se afirma: "Sempre esperamos que nossos juízes sejam honestos e sábios. Sua integridade e imparcialidade são o alicerce de todo o sistema judicial. Nós confiamos neles para garantir um julgamento justo, para proteger os direitos de todas as partes, para punir os que transgridem a lei e supervisionar o fluxo da justiça, conferindo-lhe ordem e eficiência. Mas o que acontece quando um juiz distorce a lei ou recebe suborno?".

E termina com esta pérola de citação, na pág.. 381, comentando um trecho da sentença que condenou uma Juíza: "Em trecho preparado, ele atacou sua "ganância espantosa", sua "desonestidade nauseante", sua traição covarde da confiança depositada pelos eleitores (nos EUA os juízes são eleitos). Uma sociedade estável baseia-se em conceitos de equidade e justiça, e por isso resta a "juízes com você e eu" cuidar para que todos os cidadãos sejam protegidos dos corruptos, dos violentos e das forças do mal".

Fica a sugestão para quem gosta de uma boa leitura, com lances espetaculares de espionagem e operações policiais.

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá. E-mail - rgnery@terra.com.br



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