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Domingo, 02 de abril de 2017, 09h04

ECONOMIA

Inadimplência sobe 118% em MT e mais de 7,3 mil estão em atraso

Silvana Bazani, redação A Gazeta


Otmar de Oliveira

Mensalidades de 7.370 estão com atraso em até 3 mensalidades

A inadimplência no mercado imobiliário aumentou 118% no último ano.

Em Mato Grosso, a quantidade de imóveis comprados a prazo com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e que estavam com atrasos de até 3 mensalidades somaram 7,379 mil em fevereiro de 2017. O volume de contratos nessa situação aumentou em 118,96% quando comparado com o total verificado em fevereiro de 2016, quando a falta de pagamento atingia 3,633 mil contratos no Estado. A maioria desses contratos de financiamento foram firmados após 1998, segundo dados públicos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Neste sistema estão incluídas a maior parte dos financiamentos para aquisição ou construção de imóveis residenciais e que emprega recursos das contas de caderneta de poupança ou repassados pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), inclusive do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV).

Em Mato Grosso, podem ser financiados com os recursos do SFH imóveis de até R$ 800 mil e em prazos que chegam a 35 anos para pagamento. Contudo, excepcionalmente, até 31 de dezembro, esse “teto” foi elevado para até R$ 1,5 milhão pelo governo federal. Há ainda a opção de comprar imóveis a prazo com enquadramento no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). Ele rege os financiamentos imobiliários que ocorrem fora das regras do SFH no país. A principal fonte de recursos do SFI são os grandes investidores institucionais, como fundos de pensão, fundos de renda fixa, companhias seguradoras e bancos de investimento.

Em todo o Centro-Oeste, havia em fevereiro 47,143 mil contratos de financiamentos imobiliários enquadrados no SBPE e com até 3 mensalidades atrasadas, sendo 132,16% a mais que em fevereiro de 2016. No país, o volume de contratos de imóveis financiados com esse nível de inadimplência subiu de 213,840 mil em fevereiro do ano passado para 557,533 mil no último mês. Nesse período, a inadimplência evoluiu em 160,72%.

Para o vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil em Mato Grosso (Sinduscon), Cezário Siqueira Gonçalves Neto, o aumento do desemprego, além de atingir a dignidade de muitos cidadãos, os afetou naquilo que possuem de mais importante, que é a moradia. “A percepção da necessidade de negociar essas dívidas e recuperar esse cliente deve ser feita de forma imediata e coletiva. É preciso gerar emprego e renda”, afirma. Avaliação semelhante é feita pelo presidente do Sindicato da Habitação em Mato Grosso (Secovi), Marco Pessoz. “Isso (inadimplência) reflete o problema da crise financeira no país e do desemprego. As pessoas passam a escolher qual conta pagar pela falta de recursos financeiros”, comenta. Segundo Pessoz, os atrasos nos pagamentos afetam todo o mercado imobiliário, inclusive na área de locação. “Esse índice de inadimplência deixa claro a gravíssima crise que o país passou e que em Mato Grosso chegou, após janeiro de 2016, como um tsunami”, metaforiza. O presidente do Secovi/ MT acredita que a partir deste a economia brasileira melhore e a inadimplência irá recuar.

Agravamento

A inadimplência mais severa e superior a 3 mensalidades atingia 1,237 mil contratos imobiliários em fevereiro deste ano, em Mato Grosso. No mesmo período do ano passado havia 566 financiamentos imobiliários enquadrados nessa situação. Os números informados pelo SFH apontam para uma alta de 118,55% nesse estágio de endividamento. Nessa mesma condição havia 4,279 mil contratos de financiamentos imobiliários no Centro-Oeste, em fevereiro de 2016. Até o último mês, o volume de contratos inadimplentes há mais de 3 meses aumentou em 36,85%, ao totalizar 5,856 mil contratos. No Brasil, esse nível de inadimplência afetava 60,687 mil contratos de financiamentos imobiliários no 2º mês deste ano, sendo 27,57% a mais que no mesmo período do ano passado, quando somaram 47,571 mil contratos sem pagamento.

“Eu cheguei atrasar o pagamento do financiamento do meu apartamento”, admite a médica Sabrina Moreira, 34. “Fiquei um pouco apertadada financeiramente e atrasei o pagamento por um mês. Foi no auge da crise e quando surgiram novas dívidas para mim. Mas, consegui regularizar logo”. Mensalmente ela paga R$ 2,9 mil pelo imóvel, avaliado em 330 mil há 3 anos. Sobre o agravamento da inadimplência em Mato Grosso, a Caixa Econômica Federal comentou, por meio de nota oficial, que o índice de inadimplência da carteira imobiliária da instituição está em torno de 1,63%. Informou que o crédito imobiliário continua sendo de baixo risco, com aproximadamente 90% das suas operações classificadas nos melhores níveis de risco (ratings de AA a C). “A Caixa permanece líder nesse segmento, com participação no mercado de 67,31%”, diz trecho do comunicado. Já o Banco do Brasil avisou que não comenta dados regionais. Com base em dados de 2016, já que do 1º trimestre de 2017 ainda serão divulgados, o Banco do Brasil informa que apresenta índice de inadimplência inferior ao SFN. “O índice de inadimplência INAD+90d (relação entre as operações vencidas há mais de 90 dias e o saldo da carteira de crédito classificada) foi de 3,29% em 2016, ante 3,70% do SFN. Especificamente para Pessoa Física, esse índice é menor ainda no BB: 2,67%”, diz trecho do comunicado. Segundo a instituição bancária, a carteira Pessoa Física encerrou 2016 com saldo de R$ 172,3 bilhões e crescimento de 3,3% frente a 2015. O Banco informou ainda que crédito imobiliário atingiu saldo de R$ 53,7 bilhões em dezembro de 2016, com crescimento de 9,5% em 12 meses. A carteira de crédito imobiliário Pessoa Física atingiu saldo de R$ 42,1 bilhões e a carteira Pessoa Jurídica alcançou saldo de R$ 11,7 bilhões. De acordo com o Banco do Brasil, entre os principais motivos para a evolução da carteira PF estão o repasse das unidades financiadas junto às incorporadoras e a atuação no PMCMV, que ampliaram a demanda por crédito. “Este desempenho permitiu ao Banco elevar sua participação de mercado para 9,04%, consolidando a 2ª posição no SFN, de acordo com os últimos dados divulgados pelo Banco Central, referente a novembro de 2016”.

FGTS para moradia

De dezembro para janeiro os saques das contas vinculadas do FGTS para aquisição de casa própria recuaram 12% em Mato Grosso. Para o vicepresidente do Sinduscon os números ilustram que houve uma ligeira retomada na decisão de compra em dezembro e isso refletiu no volume de negócios, sob a influência de recursos extras como 13º salário e férias. “Naquele momento havia uma perspectiva de melhoria conjuntural. Já em janeiro temos um ‘break’, até passar o Carnaval e o ano se desenhar com traços mais definidos”, completa. Ele prevê que mais negócios sejam gerados em abril e junho, fechando o 1º semestre deste ano com tendência de alta. “Mas, isso depende muito do cenário da retomada da confiança. Caso contrário, será um 1º semestre de negócios recuando ou, no máximo, estáveis”, conclui. 



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