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Segunda, 03 de abril de 2017, 10h40

ECONOMIA

Cliente terá que pagar fatura total do crédito

Keka Werneck, repórter do GD


Economista de Mato Grosso explica aos consumidores usuários de cartão de crédito - e que gostam de ir rolando dívida gerada por compras de valores acima do que podem pagar - que, a partir desta segunda-feira (3), não vão mais poder pagar apenas o valor mínimo da fatura e que o Governo Federal fez isso no intuito de barrar o superendividamento.

Getty Images

Intenção é evitar superindividamento

O pagamento do mínimo poderá ser feito somente por uma vez. No final do mês, o banco terá que oferecer oportunidade de pagamento parcelado da dívida. Quem não quiser fazer o parcelamento, terá que pagar o total. Se não seguir por nenhum dos dois caminhos, ficará inadimplente.

A medida faz parte da reforma microeconômica anunciada pela equipe econômica do presidente Michel Temer (PMDB) no fim do ano passado.

Professor universitário de economia, Emanuel Daubian explica que pessoa indadimplente não consome. "E não consumindo, a economia para de girar", ressalta. "A pessoa vai comprando e rolando a dívida e chega uma hora que não consegue mais pagar a dívida, que fica impagável", detalha o economista.

Para o país sair da crise, o Governo quer que as pessoas comprem.

Uma das medidas para estimular a economia, e que também foi anunciada no final do ano passado, é a liberação do FGTS acumulado em contas inativas. Vão poder sacá-lo 10,2 milhões de trabalhadores brasileiros. O total de saques pode chegar a R$ 30 bilhões.

Quanto ao cartão de crédito, a nova regra foi fixada pelo pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em janeiro.

Bancos tiveram pouco mais de dois meses para se adaptar à nova regra.

Durante esse período de quase dois meses, os bancos definiram as novas taxas para o crédito parcelado.

"Juros de cartão de crédito é altíssimo", ressalta o economista Daubian. "Chega a 400% ao ano, isso é um absurdo, e deve baixar", prevê.
A expectativa do governo é de que as taxas de juros caiam pela metade e o cliente fique por menos tempo no rotativo do cartão.

Antes dessas novas regras, se o cliente fizesse uma fatura de R$ 1 mil, mas tivesse apenas R$ 150 para pagar, a dívida poderia se tornar impagável. No primeiro mês, o saldo devedor saltaria de R$ 850,00 para R$ 948,72. No fim do sexto mês estaria em R$ 1.708,90.

Bola de neve

A dívida, se não quitada integralmente, sobe muito rápido em função dos juros. O cartão de crédito é uma das modalidades com as taxas mais elevadas do mercado brasileiro. Em dezembro do ano passado, segundo o Banco Central, ela chegou a 484,6% ao ano – o equivalente a 15,85% ao mês.

Com taxas tão elevadas, se tornou comum clientes ficarem inadimplentes.

A conta começava relativamente pequena e, depois de alguns meses, era quase impossível de ser paga.

Parcelamento

Usando o mesmo exemplo anterior, agora se o cliente fizer uma fatura de R$ 1 mil, mas pagar apenas R$ 150, ele entra no rotativo apenas por um mês. Ou seja, depois de 30 dias, a conta dele sobe de R$ 850,00 para R$ 948,72. E ele vai ter que dar um jeito de pagar paracelado ou à vista. (Com informações da Agência Brasil e do Portal Brasil)
 



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