WhatsApp Twuitter

Sábado, 17 de junho de 2017, 12h58

Irmãos Batista negociam diretamente venda de negócios


Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, controlado pela holding J&F, estão negociando pessoalmente a venda de parte de seus ativos, apurou o jornal O Estado de S. Paulo com fontes a par do assunto. Com exceção da Vigor, que tem o Bradesco e o Santander contratados pela família, investidores interessados em outros negócios da companhia - que incluem desde Alpargatas até ativos da área de energia -, têm falado diretamente com os dois controladores do grupo.

Fontes próximas ao JBS ouvidas pela reportagem afirmaram que os irmãos Batista não descartam vender uma parte dos ativos do grupo nos Estados Unidos, onde estão concentradas as operações de carne. Mas, o objetivo, segundo essas mesmas pessoas, é preservar ao máximo essa divisão de negócio, que deu origem à companhia e responde por mais de 80% do faturamento do grupo, de R$ 170 bilhões em 2016.

Desde que vieram à tona as delações dos irmãos Batista, há um mês, o valor de mercado do JBS caiu 30%, para R$ 18 bilhões, de acordo com levantamento da Economática.

Troca de mensagens

Nas últimas semanas, Joesley Batista trocou mensagens e retornou ligações de banqueiros e executivos do mercado financeiro para dar o aval para a venda de algumas marcas de produtos da Flora, divisão de higiene e limpeza do grupo; e negociar a venda da Eldorado, divisão de papel e celulose da companhia, apurou a reportagem. Wesley também tem participado ativamente das conversas que envolvem a Eldorado, de acordo com fontes envolvidas nas negociações.

Na sexta-feira, 16, a Eldorado e a chilena Arauco anunciaram ao mercado que assinaram contrato de confidencialidade para negociar o ativo. A Arauco contratou o Santander para assessorá-lo. As concorrentes brasileiras Fibria e a Suzano também têm interesse no ativo, cuja dívida beira R$ 8 bilhões, segundo pessoas próximas às duas companhias.

A família tem pressa para vender esse negócio. Além de ter cerca de R$ 3 bilhões em dívidas que vencem no curto prazo, a companhia tem de levantar recursos para arcar com o acordo de leniência, fechado em R$ 10, 3 bilhões, segundo fontes.

Além da Eldorado, o grupo já está em conversas adiantadas para a venda da Vigor, segundo fontes. O grupo tinha recebido proposta no início do ano da americana Pepsico e da mexicana Lala, conforme publicou o jornal O Estado de S. Paulo, mas as conversas não foram adiante. Avaliada em R$ 6 bilhões àquela época, fontes afirmaram que os irmãos Batista vão ter de rever esse valor para poder concluir a transação.

Um alto executivo de um banco de investimento informou ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) e ao jornal O Estado de S. Paulo que os desinvestimentos por parte da J&F podem movimentar mais de R$ 20 bilhões. O mercado brasileiro de fusões e aquisições movimenta por ano entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões de negócios concretizados.

Alpargatas

No caso da Alpargatas, que a J&F adquiriu da Camargo Corrêa, por R$ 2,7 bilhões, os fundos Tarpon e Carlyle têm interesse de olhar o negócio - os dois já tinham conversado com a Camargo Corrêa no passado, mas foram preteridas pela J&F, que levou o negócio. Os dois fundos têm interesse em retomar as negociações, mas ainda não fizeram movimento nesse sentido. Ainda não há banco contratado para vender esse negócio, mas deve ser anunciado em breve. Procurados, os fundos Carlyle e Tarpon não comentaram o assunto.

Apesar de ter sido sondado para a venda de algumas marcas da empresa Flora, não há comprador firme para o negócio. O mesmo ocorre com o banco Original, segundo fontes.
Procurada, a J&F não comenta a venda de nenhum ativo e suas empresas seguem com as operações regulares, dentro do plano de negócios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 



// leia também

Domingo, 22 de abril de 2018

08:57 - Redução da taxa de juros torna poupança mais atrativa, mostra estudo

08:50 - Receita espera por 14 milhões de declarações do IR até 30 de abril

Sábado, 21 de abril de 2018

18:00 - Governo diz que terá de adiar reajuste de servidor para fechar contas em 2019

17:30 - Projeto que limita salário será retomado

16:00 - Após 4 anos, Eudora amplia aposta no varejo e volta a abrir lojas

15:30 - Neoenergia eleva proposta para compra da Eletropaulo

11:31 - Presidente da ANFAC destaca função social das factorings

08:58 - Entenda quando é possível fazer pedido de revisão da aposentadoria

08:55 - O que muda com o fim da Medida Provisória da reforma trabalhista?

Sexta, 20 de abril de 2018

13:59 - Brasil terá perda de 30% nas exportações de frango para a Europa