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Terça, 13 de março de 2018, 09h13

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Risco de retaliações comerciais é maior hoje, diz diretor da OMC


O risco de escalada de retaliações comerciais aumentou após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar o aço e o alumínio importados pela maior economia do planeta. A avaliação é do diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), o brasileiro Roberto Azevêdo, que esteve em Brasília nesta segunda-feira (12).

Azevêdo também manifestou preocupação com o risco de paralisação provocado pela não indicação pelo mandatário norte-americano dos juízes que julgam as queixas no organismo internacional.

Agência Senado

Apesar do receio de que a decisão de Trump gere uma onda de medidas unilaterais, Azevêdo mostrou-se confiante de que os países-membros da OMC comecem a negociar para evitar esse cenário.

— O risco de uma escalada de retaliações comerciais é maior hoje do que era antes, mas acho que todos estão conscientes desse risco. A minha percepção é que o diálogo começa. As partes começam a se falar para evitar ações unilaterais, que não contribuem para a solução e elevam o risco de um efeito dominó.

Para o diretor-geral da OMC, a organização não está enfraquecida e deve ser mais demandada de agora em diante, em um momento de tensão no comércio internacional.

Azevêdo, no entanto, disse que é essencial que os países cheguem a uma solução para preencher as vagas no Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, formado pelos tribunais que julgam as queixas comerciais. Depois que o governo de Trump vetou a nomeação de novos árbitros, os tribunais da OMC atuam com quatro em vez de sete juízes, o que atrasa o julgamento dos processos.

— Com relação ao órgão de Solução de Controvérsias, a situação é muito delicada e preocupante. O mecanismo não parou. Continuamos atuando, continuamos ouvindo as apelações. Portanto, não houve paralisação do sistema. Mas se essa situação perdurar, o risco de paralisação é grande. Estamos conversando com outros membros para ver se eles encontram soluções que permitam lidar com essa situação de impasse com várias ideias.

Segundo ele, não há prazo para chegar a uma solução.

Economia brasileira

Azevêdo deu as declarações após reunir-se com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, no início da noite de segunda. O diretor-geral da OMC disse que Meirelles e ele discutiram a tarifação do aço pelos Estados Unidos e as perspectivas para a economia brasileira, consideradas positivas pelo diplomata.

— A economia [brasileira] tem respondido bem do ponto de vista de inflação, de inflação baixíssima, taxa de juros caindo. O crescimento sendo retomado de maneira mais vigorosa. Nossas próprias estimativas estão revendo os números do Brasil para cima. A conversa deu ainda mais confiança com as perspectivas da recuperação da economia brasileira.

Em relação às medidas do governo brasileiro após a tarifação de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio pelos Estados Unidos, Azevêdo disse que a diversidade das mercadorias exportadas pelo Brasil amenizará o impacto da sobretaxa sobre a balança comercial (diferença entre exportações e importações). Ele, no entanto, considerou preocupantes as eventuais consequências sobre o setor siderúrgico brasileiro.

— O Brasil é superavitário do ponto de vista de comércio exterior. O país tem uma pauta de exportação muito diversificada, mas não deixa de ser preocupante sobretudo com uma perspectiva setorial. O governo está examinando a situação, está aberto para conversar, encontrar soluções e não descarta nenhuma alternativa.

O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para o mercado americano e será o país mais afetado com a decisão de Trump. Em 2017, o país exportou US$ 2,6 bilhões do produto para os Estados Unidos, o equivalente a um terço de toda a venda externa da matéria-prima local.

 



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