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Quarta, 11 de abril de 2018, 09h14

Brasil

Esquema que premiava informante com drogas envolvia 17 PMs, diz MP


O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) denunciou 17 policiais militares da Força Tática de Taubaté (135 km de São Paulo) por supostamente formarem uma organização criminosa que atuava extorquindo e negociando drogas e armas com traficantes da região.

A denúncia, oferecida pelo MP-SP na última segunda-feira (9), aponta que a organização dos policiais militares contava com o tenente comandante do Batalhão da Força Tática de Taubaté, além de um subtenente, três sargentos, quatro cabos e oito soldados.

A investigação da Corregedoria da PM que chegou à suposta organização criminosa formada pelos policiais militares começou a partir da chacina que vitimou os ajudantes Felipe Alves da Costa, 24 anos, e Luiz Henrique Moreira, 21 anos, e o chapeiro Wellington Thomas Frank, 25 anos, em 8 de fevereiro do ano passado. Segundo o promotor de Justiça Militar Edson Correa Batista, os três eram informantes dos PMs.

De acordo com as investigações, os jovens foram mortos como "queima de arquivo" porque teriam indicado aos policiais militares o local onde importantes traficantes da região guardavam grande quantidade de drogas e armas. Após pegar os ilícitos, os PMs teriam marcado um novo encontro com os jovens e cometeram a chacina.

"Eles [vítimas da chacina] deram 'duas fitas' [informações] boas para os policias, sobre dois traficantes apelidados como o Xing Ling e Lan. Os PMs foram na casa desses dois e supostamente aprenderam muita mercadoria. Depois disso, o tenente ligou para um deles [vítimas] e marcou para um encontro, dizendo que a informação foi boa, foi quente, e era para eles irem buscar a recompensa. No encontro, os policiais mataram os três", conta Batista.

O promotor explicou à reportagem como era o esquema desenvolvido pelos policiais militares da Força Tática de Taubaté, com base na conclusão da Corregedoria da Polícia Militar após um ano de investigação.

Corforme a denúncia, embora tudo que acontecesse na região envolvendo a Força Tática da Polícia Militar estivesse sob a responsabilidade do tenente que comandava o batalhão, quem tinha mais voz ativa para o cometimento de crimes era o subtenente. Todas apreensões eram feitas pelo tenente e subtenente ou com o conhecimento deles.

Ainda de acordo com as investigações, a função dos soldados e cabos era cooptar, durante os patrulhamentos nas ruas da cidade de Taubaté, potenciais informantes. Estes seriam pessoas com alguma ligação com o tráfico ou civis que tinham conhecimento sobre o procedimento dos traficantes de drogas e armas da região.

Após localizar os informantes, os cabos e soldados os encaminhavam para os sargentos que, por sua vez, davam continuidade à ação criminosa dos policiais militares comunicando os superiores (subtenente e tenente). A partir disso, os PMs iam nos lugares informados pelos civis para realizar as apreensões das drogas, armas e dinheiro fruto do tráfico.

Como forma de premiar os informantes, ainda segundo a denúncia do MP-SP, os policiais militares entregavam parte dos produtos apreendidos. Os civis que colaboravam com os policiais militares, então, revendiam as drogas e armas.

Quando acontecia, eventualmente, de os policiais militares que atuavam no patrulhamento cotidiano encontrarem e apreenderem drogas e armas sem o conhecimento dos superiores, eles teriam que informar para saber o valor que deveriam vender os ilícitos e qual procedimento teriam que adotar. “Evidentemente não apresentavam essas denúncias na delegacia”, diz o promotor.

As investigações da Corregedoria da PM chegaram ao nome de 19 policiais militares. Todos eles foram presos no dia 14 de março, após operação conjunta do MP-SP, Corregedoria da PM e Comando de Policiamento do Interior. No dia seguinte, tiveram a prisão revertida para preventiva e seguiram no Presídio Militar Romão Gomes. No dia 5 de abril, os policiais foram afastados da PM.

Na denúncia, o Ministério Público pediu a revogação da prisão de dois cabos, por falta de provas. Os outros 17 policiais militares devem seguir no presídio. Segundo a promotoria, testemunhas serão ouvidas até a próxima semana para dar continuidade ao processo.

A reportagem pediu o posicionamento da Polícia Militar do Estado de São Paulo sobre o caso e questionou sobre a atual situação da Força Tática de Taubaté, após todas as prisões (inclusive do comandante). No entanto, não houve resposta até a publicação desta reportagem.

O R7 também tentou entrar em contato telefônico com o escritório do advogado Deniz Vecchio. No entanto, nenhum dos números fornecidos pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) atendeu. Durante a audiência de custódia, Vecchio foi o responsável pela defesa de oito PMs acusados.

O R7 não conseguiu localizar a defesa dos outros policiais militares envolvidos na suposta organização criminosa. Por causa da falta de contato, os nomes dos PMs acusados não serão expostos na reportagem.

Polícia e tráfico em Taubaté

Entre os dias 7 e 10 de fevereiro deste ano, o R7 publicou uma série de reportagens sobre possível envolvimento de oito policiais civis da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Taubaté com traficantes ligados à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) da região.

Na ocasião, a reportagem teve acesso à denúncia do Ministério Público que apontavam como os policiais civis se associavam aos traficantes da facção criminosa, a forma como eles fazia para cobrar “carnês” de criminosos que davam proteção nas atividades ilícitas e ainda obteve o conteúdo de ligações telefônicas interceptadas, nas quais policiais e traficantes negociavam.

Embora as supostas ações criminosas dos policiais civis e dos policiais militares sejam parecidas e na mesma região, o promotor Batista afirma que “não há qualquer notícia em respeito disso, nenhuma suposição, nenhuma ilação. O envolvimento dos policiais militares era com civis, os informantes eram civis”.

 



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