WhatsApp Twuitter

Sexta, 10 de agosto de 2018, 10h45

projeção preocupante

Quase metade das crianças brasileiras serão obesas em 2022


Uma projeção feita pelo Ministério da Saúde aponta que no ano de 2022, o número de crianças obesas no Brasil deve ser o dobro do que o registrado em 2013. Se os índices continuarem crescendo na mesma proporção, em 2022 o país terá 46,5% dos meninos entre 5 e 9 anos sofrendo com a obesidade infantil.

Para as meninas, a projeção é menor, mas ainda chama a atenção: 38,2% das garotas entre 5 e 9 anos devem ser obesas em 2022. Os índices representam mais que o dobro do registrado há cinco anos, quando a projeção de meninos obesos era de 22,3% e o de meninas, 16,5%.

A meta do Ministério da Saúde é reduzir e voltar ao patamar de 1998, uma projeção de 8% para os meninos e 5% para as meninas. Um desafio que também envolve a família e a escola.

De acordo com a nutricionista Mariana Contiero San Martini, do Departamento de Pediatria da Unicamp, os altos índices de obesidade infantil envolvem uma série de fatores. Um deles é a dificuldade dos pais em conciliar trabalho e educação dos filhos.

“Eles precisam trabalhar fora, não têm tempo para cuidar e, muitas vezes, para se redimir, acabam comprando alimentos ultraprocessados que têm excesso de gordura, sal e açúcar”, explica a nutricionista.

Alimentos ultraprocessados são aqueles que passam por muitas técnicas, ou processos, que aumentam a durabilidade e diminuem o valor nutricional. Eles normalmente são saborosos e conquistam o paladar das crianças, mesmo sendo danosos à saúde – além do excesso de calorias, sal e açúcar, são pobres em vitaminas e sais minerais.

Entre os alimentos ultraprocessados normalmente consumidos por crianças estão os salgadinhos, iogurtes industrializados, biscoitos recheados, sorvetes, refrescos em pó, achocolatados e refrigerantes.

Junto com o consumo deste tipo de alimento, está a falta de atividade física. “As crianças comem estas coisas e depois passam horas sentadas em frente à TV, ao computador ou com o celular, elas não se exercitam com frequência”, alerta Mariana.

Meninas são mais vulneráveis a transtornos alimentares

Embora o número de meninas obesas seja menor do que o número de meninos, a nutricionista alerta que elas são mais vulneráveis aos transtornos alimentares como bulimia e anorexia.

Isso acontece porque as meninas se preocupam mais com imagem corporal, com peso e são mais propensas a pular refeições e deixar de comer alguns alimentos para reduzir medidas. Em alguns casos, os pais nem percebem que algo está errado.

“Como não conseguem acompanhar de perto a educação dos filhos, os pais não conseguem ver como eles estão se alimentando, se estão comendo o suficiente. A filha pode estar provocando vômito depois das refeições e eles nem percebem”, diz.

Para evitar o problema, a sugestão da especialista é o diálogo frequente com os filhos e com as pessoas que convivem com eles.
“Os pais devem estar sempre com contato direto com os profissionais da escola e observar quem são os amigos, onde a criança vai, como se comporta”, explica.

Como evitar a obesidade infantil

Combater a obesidade infantil exige uma mudança total de hábitos que deve começar em casa. A nutricionista explica que é preciso que exista diálogo. “Uma conversa aberta sobre bons hábitos alimentares”.

Outra dica é motivar os filhos para ajudar nas preparações culinárias. “Muitas famílias compram produtos alimentares prontos ou semi-prontos, não costumam compartilhar receitas e, muitas vezes, sequer cozinham receitas mais fáceis”, destaca.

A especialista explica que mesmo as crianças menores podem participar do processo, seja lavando alguma hortaliça ou fazendo alguma outra atividade mais simples e segura, desta forma o ato de cozinhar acaba se transformando em um momento de interação familiar. “O importante é dar preferência para produtos in natura, minimamente processados, para dar à criança a possibilidade de contato com legumes, frutas e alimentos ricas em fibra”, diz.

As atividades físicas também precisam ser rotina. Se os dias estão corridos, os pais precisam aproveitar o fim de semana para praticar exercícios e criar este hábito nas crianças – levar a um parque, andar de bicicleta, fazer caminhadas.

A escola também pode contribuir. Uma das possibilidades é criar uma disciplina sobre nutrição para ensinar os primeiros passos em direção a um a alimentação equilibrada. Os professores podem desenvolver atividades culinárias, de elaboração de hortas, passeios e caminhadas ao ar livre em bosques e parques. As cantinas também devem oferecer um cardápio saudável. “A escola deve estar de acordo com os alimentos oferecidos aos estudantes”, diz Mariana.

Índice de obesidade é menor entre adolescentes

Se na infância o número de obesos é alto, ele diminui consideravelmente na adolescência. A projeção do Ministério da Saúde é que em 2022, 13,8% dos meninos entre 10 e 19 anos sejam obesos. Entre as meninas da mesma faixa etária, o número deve ser de 7,8%.
Neste caso, a meta também é reduzir e igualar aos índices de 1998, quando a taxa de obesidade entre as meninas era de 2,7% e dos meninos de 3%.

A nutricionista Mariana San Martini explica que a diferença entre os índices de crianças e adolescentes acontece por causa da mudança no senso crítico. Na adolescência, surge a preocupação com a aparência por isso, os jovens tendem a se preocupar mais com o que que vão comer.

“Existe um cuidado em ingerir alimentos mais saudáveis e menos calóricos porque eles começam, nessa fase, a se preocupar mais com a aparência, começam a se comparar com os amigos. Os meninos querem ficar mais musculosos, as meninas mais magras”, explica Mariana.

Mesmo assim, a especialista alerta que existe a tendência que parte das crianças e adolescentes obesos se tornem adultos obesos ou com sobrepeso, levando para a idade adulta todas as doenças que o excesso de peso pode acarretar. “Antigamente não se via crianças ou adolescentes com triglicérides ou colesterol aumentados, hoje em dia isso acontece e pode levar a uma série de problemas cardíacos e vasculares”, diz.

A projeção do Ministério da Saúde para os adultos brasileiros é que 24,8% sejam obesos em 2022.



// matérias relacionadas

Segunda, 15 de janeiro de 2018

13:50 - Obesidade cresce entre usuários de planos de saúde, diz pesquisa


// leia também

Sábado, 18 de agosto de 2018

17:00 - Integrantes de facção são presos com armamento pesado em Brasília

16:00 - Lei de Proteção de Dados trará impactos a pessoas, empresas e governos

10:12 - Rio apura se tráfico faz barreira com brinquedos

09:56 - País só vacinou 16% do esperado contra sarampo e pólio

Sexta, 17 de agosto de 2018

17:40 - Pesquisa mostra que 2/3 das mortes em confronto policial só traz versão da PM

16:45 - Procuradoria pede impugnação de concurso da PF por violação de cota

16:26 - Justiça do RJ decreta prisão preventiva do Dr. Bumbum por morte de cuiabana

12:40 - Disque-Denúncia quer informações sobre morte de corretora no Rio

12:30 - MP do Rio aceita ajuda da Polícia Federal no caso Marielle

11:07 - Operação conjunta das Forças Armadas mira tráfico no Complexo do Alemão