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Quinta, 24 de maio de 2018, 00h00

Movimentação estranha


Ou a gestão Justino Malheiros foi realmente um fiasco à frente da Câmara de Cuiabá, ou algo muito estranho anda ocorrendo no Parlamento.
Cinco vereadores da oposição ao prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), todos no grupo dos primeiros a assinarem a criação da CPI do Paletó, resolveram apoiar uma provável candidatura de Misael Galvão (PSB) à presidência do Parlamento.
O curioso é que a empreitada também conta com o apoio do líder do prefeito, Lilo Pinheiro (PRP), e de outros membros da base governista.

‘Puxa-saco’

Nos bastidores, o que se escuta é que os cinco da oposição não querem apoiar Justino porque o atual presidente seria muito ‘puxa-saco‘ do prefeito Emanuel Pinheiro. Será que seria tanto a ponto de até o líder do prefeito e outros governistas não o quererem à frente da Câmara de novo? Ou os vereadores da oposição não se atentaram ao detalhe de que o candidato que escolheram também caminha para fazer uma gestão alinhada com o Executivo?

Mais longe

O fato é que a movimentação tem revelado que Justino Malheiros está, a cada dia, mais longe de conseguir ser reconduzido ao cargo de presidente. Não bastasse a articulação dos adversários, ele ainda tem que vencer a Justiça, que é quem vai decidir se foi válida ou não a votação em que, por 13 a 12, os vereadores decidiram alterar o Regimento Interno, permitindo a reeleição dos membros da Mesa Diretora.
 

Requerimento

Listado entre os denunciados da Bereré, o deputado Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), resolveu apresentar um requerimento à presidência e à procuradoria da Assembleia Legislativa pedindo informações sobre qualquer expediente - denúncias, documentos, projetos, debates, etc - acerca do contrato entre o Detran e a EIG Mercados que tenha chegado ao Parlamento entre os anos de 2011 e 2017.
Na justificativa, ele alega que foi acusado de ter ‘plena consciência‘ de que o contrato era mantido na base do pagamento de propina, mas que nunca ouviu falar do assunto dentro do Legislativo.

Prova?

Em outras palavras, o que Nininho parece esperar é que a resposta do requerimento apresentado - no caso de a presidência e a procuradoria confirmarem não haver expedientes sobre o contrato entre o Detran e a EIG Mercados - sirva como ‘prova‘ de que o assunto nunca foi discutido na Assembleia e que, portanto, ele não pode ser acusado de ter sido ‘omisso‘ quanto à fiscalização.
O que Nininho parece não ter entendido, no entanto, é que, se não houver nada na Assembleia sobre o contrato será somente mais uma confirmação de que os parlamentares não fizeram nada a respeito do assunto, ou seja, foram, sim, omisso à questão. Afinal de contas, uma das funções dos deputados é justamente acompanhar e fiscalizar o que o governo faz, independentemente de ser provocado por terceiros.

Fome 1

Pode até ser compreensível, se considerarmos que se trata do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, mas não deixa de soar estranho para o resto dos brasileiros (aqueles que não são ligados ao setor) ver Blairo Maggi compartilhar em rede sociais imagens, segundo ele, ‘tristes e preocupantes‘ de porcos ‘chorando de fome‘ porque já falta ração em granjas do interior de Mato Grosso devido à greve dos caminhoneiros.

Fome 2

Basta lembrar que, mesmo sem greve no transporte, mesmo estando no país que é considerado um dos celeiros do mundo, centenas, talvez milhares, de crianças Brasil afora choram de fome todos os dias.
O bem-estar dos animais é algo que precisa de atenção sim, mas a situação ainda não está tão crítica assim, não é mesmo?
 

Palanque

A greve dos caminhoneiros, aliás, parece já estar se transformando em palanque para diversos pré-candidatos. Em Mato Grosso, o deputado federal Nilson Leitão (PSDB) e a juíza aposentada Selma Arruda (PSL) já se manifestaram sobre o assunto.
O tucano divulgou nas redes sociais que, em 2015, apresentou projeto que acabou vetado para redução de impostos sobre combustíveis.
Já a ex-magistrada resolveu distribuir alimentos aos motoristas que estão parados nas proximidades de Rondonópolis.

Oportunidade

E não são só os políticos que aproveitam a situação. Em tempos de desemprego e crise econômica, todo brasileiro encontra um jeitinho de arrumar uma renda extra. No Jardim Industriário, onde os caminhoneiros fazem protesto em Cuiabá, o comércio ambulante se proliferou. Os produtos mais ofertados são água, frutas e alimentos em geral. No início da noite, já tinha quem se preparava para montar barracas de espetinho. E também tem que aproveitar, por exemplo, para pedir doações. Problema para uns, oportunidade para outros.
 



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