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Segunda, 19 de junho de 2017, 12h11

Testemunhas narram que 'foi tiro para todo lado' e PM pede cautela

Keka Werneck, repórter do GD


Testemunhas oculares do tiroteio entre policiais militares na noite de sábado (17) no bairro Tijucal em Cuiabá estão usando as redes sociais, desde então, para questionar a abordagem que a própria corporação considerou "lamentável" e o preparo de novos integrantes da tropa.

A Gazeta

Corporação diz que são 3 meses de aula de abordagem e tiros. Soldado afirma que fez somente 1 semana.

"Eu e minha família estávamos entrando na rua quando vimos que iria ser uma abordagem. Meu pai deu ré com o carro, porém conseguimos ver que a polícia desceu da viatura atirando, quem estava no carro só desceu e correu. Os disparos começaram da viatura", diz S.C.

Outra testemunha comenta que viu tudo. "Lamentável! Estou indignada com tamanho despreparo, pois eram tiros em toda direção com várias pessoas inocentes na rua. Eu estava na rua e nunca vi tanto despreparo. Muitos aqui se salvaram só por Deus porque se depender desses policiais muitos estariam mortos agora. Sem contar a velocidade que eles vieram, a sorte é que não pegaram um cidadão na rua...Queremos segurança, policiais preparados...E a pergunta fica: cadê os bandidos??? Não era uma perseguição???...cadê os bandidos????" - questiona L.V.

Já G.L. resume o que viu: "Infelizmente, um despreparo. Eu acompanhei esse caso lá, muito difícil."

Entre os comentários, muitos apontam despreparo para atirar e se comunicar com a população. "Fora o ego desses novatos quando entram para PM, se acham um deus. PM que tira self de farda na viatura mostra isso", critica M.P.

B.C. comenta que a situação é grave e um dos militares morreu, o soldado Kenedy Campos da Costa, 25, e o outro ficou ferido, tendo que viver com essa mancha de ter tirado a vida do colega. "É triste".

Costa levou um tiro no peito, desferido pelo sargento PM Jorge Roberto da Silva, 42.

O soldado Costa entrou na corporação em novembro de 2015, fez o curso de 11 meses preparatório e estava nas ruas há cerca de 6 meses.

Formação

Presidente da Associação de Cabos e Soldados PM BM de MT, cabo Adão Martins da Silva reconhece que a formação militar "poderia melhorar", mas pede cautela para avaliar o caso.

Chico Ferreira

Cabo Adão Martins ressalta que não se pode julgar a conduta do soldado que morreu

"A princípio digo que foi uma fatalidade", resume, considerando ser necessário apurar as circunstâncias da ocorrência, antes de julgar a conduta do soldado Costa. Ele, à paisana, acreditando estar diante de um ladrão, apontou a arma para o sargento Jorge, que revidou de imediato, acreditando que o bandido seria o outro. Na sequência, viatura acionada para dar suporte já chegou atirando contra os dois.

Major Dias, há 8 anos professor da Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Esfap), na Guia, reclama das críticas e ressalta que "a PM vive em cenário caótico".

Ele afirma que todos os que entram na corporação passam por 11 meses de formação, teórica e prática, mas que "isso não é garantia de nada".

"O militar é um ser humano passível de erro. Acusar a corporação e o militar em uma situação dessas é covardia", reage.

Ele afirma que no curso de formação, que considera de excelência, "reconhecido internacionalmente", 3 meses são dedidados à abordagem, tiros e conduta em situação de conflito.

Não é o que alegou em juízo a defesa do soldado PM Leandro Almeida de Souza, absolvido dia 9 deste mês pelas mortes do colega militar Danilo César Fernandes Rodrigues, 27, e da funcionária da casa de câmbio Rápido, na avenida Getúlio Vargas, em Cuiabá. Em fevereiro de 2014, ao tentar impedir um assalto, ele acabou atirando e matando ambos. O ladrão saiu ileso e está solto. A defesa dele alegou que ele passou por um treinamento relâmpago de tiros de apenas 1 semana.

Leia mais - Réu por 2 mortes, policial só teve 1 semana de curso antes de ir pra rua

O caso vem repercutindo desde 2014 sem que a corporação contestasse a veracidade da alegação da defesa.

Questionado sobre isso nesta segunda-feira (19), o professor Major Dias afirma que não é verdade.

Cultura policial

Para o internauta D.X., o caso do tiroteio no Tijucal é "resultado da suprema ignorância envolvida na cultura policial". Ele reclama que "policiais se acham donos da razão e acreditam que podem tudo".

"Quando estão de serviço de recusam a atender chamados policiais e quando estão de folga andam armados e agem segundo sua própria justiça", critica.

Abordagem mais recente

A abolsvição de Leandro e o tiroteio no Tijucal ainda estão repercutindo e a PM já está protagonizando outra ocorrência com morte em situação de "confronto". Um suspeito de roubo que fugia de uma abordagem de bicicleta morreu na noite deste domingo (18) com um tiro nas costas



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