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Terça, 12 de junho de 2018, 18h58

Laudo aponta que morte pode ter ocorrido por retirada excessiva de gordura

Karine Miranda, repórter do GD


A um dia de completar um mês da morte da jovem Edléia Danielle Ferreira Lira, 33, após ser submetida a duas cirurgias plásticas, o laudo pericial  concluiu que a morte foi ocasionada por um choque hemorrágico hipovolêmico, decorrente da lipoaspiração. Os indícios apontam que houve uma retirada excessiva de gordura do corpo da jovem.

Reprodução/Facebook

Danielle morreu aos 33 anos

O laudo reforça a informação que constava na certidão de óbito emitida no dia 13 de maio, quando foi confirmada a morte cerebral de Danielle. A jovem morreu 2 dias após passar por uma lipoescultura e mamoplastia redutora com o médico Eduardo Santos Montoro, pelo programa “Plástica Para Todos”, que busca facilitar o acesso à cirurgia plástica a preços mais baixos do que os oferecidos no mercado.

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De acordo com o diretor do Instituto Médico Legal (IML), João Marcos Rondon, o laudo aponta que a causa da morte foi choque hemorrágico em função do sangramento oriundo da lipoescultura. Segundo ele, na ocasião de uma lipoaspiração é retirada a gordura e, com isso, o corpo perde sangue, que é aspirado também.

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No entanto, no caso de Edleia foi perdido mais sangue do que poderia. “Você tem níveis laboratoriais que o índice de hemoglobina abaixou para algo incompatível com a vida. Por algum motivo a quantidade de gordura que saiu fez com que ela tivesse queda abrupta das taxas laboratoriais, incompatível com uma pessoa hígida”, disse ele durante coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (12).

O laudo analisou os prontuários médicos fornecidos, bem como a certidão de óbito. No entanto, nesses documentos não consta informações de quantos litros de gordura foram retirados da paciente. Segundo o diretor, ela não apresentava um histórico de problemas de saúde que pudesse impedi-la de realizar as cirurgias. Ao todo, os 2 procedimentos duraram cerca de 6 horas.

Otmar de Oliveira

Diretor do IML, João Marcos

O diretor explicou ainda que, em função da diminuição do sangue dentro dos vasos sanguíneos da paciente, houve uma queda de pressão arterial que evoluiu para outras complicações, inclusive as paradas cardíacas. “Iniciou a cascata de complicações posteriores. A hemorragia e depois a parada respiratória”, disse.

Após a realização das cirurgias, já no quarto de hospital, Danielle chegou a ficar sem pulso, teve uma parada cardiorrespiratória e, horas depois, foi transferida para o hospital Sotrauma. Isto porque o Hospital Militar, onde ela foi operada, não possui Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Já no hospital Sotrauma, Danielle foi levada diretamente para a UTI e medicada. Porém, teve várias paradas cardíacas e, na sequência, teve paralisia cerebral e falência múltipla dos órgãos. Ela ficou internada na UTI por quase 2 dias. “Com o laudo, você consegue firmar essa sequência de fatos da cirurgia até a morte do paciente”, afirmou.

Ainda segundo o diretor, somente pelo laudo não é possível identificar que tenha ocorrido erro médico, uma vez que nenhum órgão da paciente ou mesmo de vasos sanguíneos foi perfurado. Além disso, ele afirmou que a demora no atendimento da paciente não contribuiu para a piora da saúde de Edleia.

“Não é condição inerente o fato da existência ou não da UTI para realizar uma cirurgia. Ela poderia, sim, ter realizado a cirurgia naquele hospital. (...) O atendimento prestado desde a primeira parada respiratória esteve dentro da regularidade. Se não tivesse feito a lipoaspiração, não teria evoluído ao óbito (...) Através do laudo estabelecemos um link direto entre a lipoaspiração e a morte da paciente”, disse.

Otmar de Oliveira

Delegada Alana Cardoso

Inquérito policial - Desse modo, o laudo descarta que a morte de Edleia tenha sido uma fatalidade, como a empresa teria afirmado após o ocorrido. Agora, em posse do laudo, a delegada Alana Cardoso, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), instaurou um inquérito sobre o caso.

Segundo ela, o próximo passo é analisar a documentação, uma vez que há indícios dessa retirada excessiva de gordura, que apontaria para uma responsabilidade criminal.

“Realmente é um caso bastante técnico e temos que ter bastante responsabilidade, porque lipoaspiração acontece todo dia. É um procedimento estético comum. O que o laudo traz para nos é que há elementos a indicar que houve uma incompatibilidade do quadro clinico quando foi submetido à cirurgia, com o fim dela”, disse.

Ainda de acordo com a delegada, somente após a análise de toda a documentação é que será iniciada a fase de identificar os autores da responsabilidade criminal pela morte. “A partir daí vamos definir quais as oitivas serão necessárias. Vamos manter contato com toda a equipe médica e pessoas que presenciaram os procedimentos que foram realizados durante e no pós cirúrgico”, afirmou.

A previsão é que a conclusão do inquérito ocorra em 30 dias. “Pode também ser necessário um suporte de especialistas, cirurgiões, e possivelmente novos laudos periciais”, encerrou. 



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