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Quinta, 12 de julho de 2018, 07h38

Pacientes param na UTI após cirurgia no Plástica Para Todos

Dantielle Venturini, repórter de A Gazeta


Sociedade Matogrossense de Anestesiologia (Soma) denuncia 2 casos de pacientes com complicações após realizarem procedimentos por meio do programa Plástica Para Todos. Elas realizaram as cirurgias após a morte da jovem Edléia Daniele Ferreira Lira, 33. As ocorrências foram este mês, após cirurgias realizadas no Hospital Militar de Mato Grosso. As pacientes foram encaminhadas para Unidades de Terapia Intensiva de 2 hospitais da Capital.

Otmar de Oliveira

O advogado que representa a empresa Plástica Para Todos, Alex Sandro Rodrigues Cardoso, confirma as duas complicações citadas pela Soma. Segundo ele, nos 2 casos não houve erro médico, nenhum órgão foi perfurado e as complicações que surgiram são intercorrências que podem acontecer em qualquer cirurgia. Ele procurou a Polícia Civil para protocolar esclarecimentos sobre os casos.

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A sociedade afirma, em texto encaminhado à imprensa, que tomou conhecimento dos casos de complicação em pacientes que fizeram parte do programa na capital e que assim como ocorreu após a morte da primeira paciente, a entidade já provocou o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM) e o Ministério Público do Estado (MPE), para que apurem os fatos e responsabilizem os envolvidos “nas esferas ética, civil e criminal”.

De acordo com o secretário da Soma, Felipe Audi, o alerta faz parte do dever ético e civil da entidade em zelar pela boa prática da medicina e anestesiologia em Mato Grosso. Ainda segundo ele, a Soma se colocou à disposição e está colaborando e servindo de apoio técnico às autoridades para que a situação se torne clara e que os responsáveis sejam apontados e responsabilizados.

Lipoescultura e bariátrica

Conforme o advogado da empresa, a primeira complicação ocorreu a cerca de 10 dias após uma lipoescultura. Conforme ele, a paciente teve intercorrência inerente “a qualquer tipo de cirurgia”, tendo sido encaminhada e acompanhada pela equipe médica do Programa e do Hospital Militar para melhor acompanhamento no Hospital Santa Casa, de onde já evoluiu para alta domiciliar.

Já o segundo caso ocorreu nos últimos dias e a paciente realizou uma correção de cirurgia bariátrica. Relata que após o procedimento ela teve sangramento de vasos, o que, segundo ele, é uma “condição esperada para o tipo de cirurgia” e teria ido pessoalmente ao pronto atendimento do Hospital São Mateus, onde está sendo acompanhada pela equipe médica da unidade e dos médicos do Programa.

Conforme o advogado, a paciente foi encaminhada para a UTI para “acompanhamento e segurança”, inexistindo qualquer risco de vida. Garante que ela segue em observação e com o quadro evoluindo para alta.

CRM

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM) informou que os 2 casos de complicações, comunicados pela Sociedade Matogrossense de Anestesiologia (Soma), serão investigados no mesmo inquérito aberto pela morte de Edléia Daniele. Presidente do CRM, Maria de Fátima de Carvalho Ferreira enfatiza que todas as partes serão ouvidas durante o processo.

O Ministério Público do Estado informou que a denúncia foi distribuída para a Promotoria do Direito do Consumidor, que deve solicitar diligências sobre o caso. Se constatado indícios de irregularidade será instaurado inquérito para apuração.

O Hospital São Mateus e o Hospital Santa Casa foram procurados para falar sobre a situação das pacientes encaminhadas após os procedimentos, mas preferiram não se manifestar sobre os casos.

Morte de Daniele

Sobre o caso de Edléia Daniele, o advogado do Plástica Para Todos, Alex Sandro Cardoso informou que foi protocolado junto à DHPP um pedido complementar de quesitos ao perito do Instituto Médico Legal (IML). Conforme ele, a hemorragia atestada como “causa mortis” da paciente, foi absolutamente descartada pela análise do próprio laudo e dos prontuários dos Hospitais Militar e Sotrauma. Ainda mesmo que mesmo que tivesse ocorrido não significaria dizer que houve “imprudência, negligência ou imperícia médica”, mas o perito não teria realizado exames básicos para apurar outras causas.

Ainda conforme o advogado, os exames de imagens realizados no Sotrauma descartavam a hemorragia, não houve transfusão de sangue em 48 horas de internação da paciente e os indicadores de sangue perdidos sequer são compatíveis com a literatura e legislação aplicável.



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